sábado, 23 de novembro de 2013

Nemanja Matic 1-0 Braga

Regresso do Benfica ao Campeonato depois dos 2 únicos bons jogos da época, e após pausa das selecções (que por norma nunca são benéficas aos clubes vencedores). Se isso não era handicap suficiente, tivemos um Benfica sem 2 pedras cruciais: Cardozo (lesionado) e Jesus (castigado 30 dias). O prenúncio não era bom, mas havia a hipótese do crescimento da equipa continuar neste jogo, difícil, frente a um Braga que "cresce" nos jogos connosco.

O que se viu foi uma equipa com pouca motivação (que se tinha visto em Atenas e no derby para Taça de Portugal) e a jogar pouco, em esforço e com muita pouca inspiração. O Braga acumula várias derrotas seguidas no Campeonato e ocupa um lugar a meio da tabela mas é um adversário de valor e complicado de bater. Os nossos jogadores não pareceram entender isso e disposeram-se como se do outro lado estivesse a Naval (mais cedo ou mais tarde já marcamos...). Sem Jesus no banco falta a voz que dá intensidade e não permite relaxamento aos jogadores e a sua falta notou-se...

Entrámos lentos e lentinhos chegámos ao final dos primeiros 45 minutos. Da intensidade que asfixiou Sporting e Olympiakos nem sombra. Uma única chance de golo, num ressalto depois de um canto, com Matic a rematar ao lado em posição privilegiada perto da pequena área. Entretanto o Braga já tinha enviado uma bola à trave (Artur defendeu) por Éder (grande jogador, ponta de lança robusto, mas móvel e bom tecnicamente, tanto rende sozinho na frente como acompanhado) e tinha demonstrado saber tapar todos os caminhos da sua baliza sem grande esforço. Jesualdo teve a bênção de Cardozo não estar em campo, mas estudou bem a lição e não se vislumbrava forma de derrubar os bracarenses.

Lima batalha muito e corre kms, mas não se fixa na zona 9 (do PL), era comum vê-lo descair nas alas e não termos um único jogador na área. A única sensação de perigo vinha das diagonais de Markovic que apareceu algumas vezes isolado na cara do GR, mas ou o passe era mau, ou falhava a recepção, ou estava em fora de jogo. A única maneira de penetrar a organização defensiva eram mesmo as desmarcações do prodígio sérvio, mas a qualidade do nosso passe, no jogo de hoje, foi abaixo da média; quando comparada com o último jogo (VS Sporting) então ficou muito abaixo mesmo.

Com facilidade em anular o Benfica, o Braga voltou a enviar uma bola à trave na 2ª parte e mostrou que podia mesmo marcar e deixar-nos em muito maus lençóis, pois a nossa parte ofensiva chegava a ser caricata. Djuricic, Rodrigo e Lima mostraram que os números que apresentam não são fruto do acaso ou de qualquer "birra técnica". Djuricic teve UM lance de registo - já na 2ª parte - quando fez um passe para Markovic atirar por cima da barra, já dentro da área. Um jogador da qualidade de Filip Djuricic não pode passar 50 minutos "escondido" em campo e a acumular erros atrás de erros, más decisões atrás de más decisões, foi mau demais. Fica a certeza, não acho que Djuricic volte a fazer um jogo tão fraco como o de hoje.

Rodrigo então, nota-se que está completamente fora de forma desde o primeiro toque na bola. Há alturas em que um jogador faz golos de qualquer maneira e feitio (está en racha) e outras em que nada sai, Rodrigo está num desses momentos horríveis onde falha passes de metro e meio e parece um corpo estranho. Rodrigo tem a desculpa de em determinado momento ter passado a jogar no flanco esquerdo e as preocupações tácticas e defensivas o terem "limitado" ainda mais, mas o péssimo momento de jogo de Rodrigo já se arrasta há muito...e oportunidades não lhe faltaram.

Lima está um jogador banal. Lá está, é esforçado e batalhador, mas esta época parece ter perdido a estrelinha da época passada onde facturava consecutivamente. Hoje, com um Éder do outro lado (em condições tácticas semelhantes) Lima pareceu pequenino...

Posto isto...ainda conseguimos vencer o jogo. Como ? Matic. Porquê ? Nemanja Matic. O sérvio voltou a ser a aranha e parecia omnipresente enchendo o campo. Se no primeiro tempo foram as arrancadas de Enzo Pérez (não sabe jogar mal) a dar alguma electricidade à equipa, na segunda metade Matic decidiu fazer o trabalho dele e de mais 2 ou 3 e depois de roubar a enésima bola, foi por ali fora e fez o golo da vitória num bom remate de pé esquerdo. E esse lance é a analogia perfeita do jogo, teve que ser Matic a fazer tudo sozinho: a roubar a bola ao adversário; a transportar a equipa para a frente; a rematar; e até a fazer o golo!

E a grande memória deste jogo vai mesmo para a celebração de Nemanja Matic com os adeptos após o golo (fez-me lembrar o golo de Coentrão, no último segundo frente ao Marítimo). Diz-se que pode estar perto da saída (a confirmar-se a eliminação da Champions é garantido - para mim - que o Benfica venderá um jogador em Janeiro) o que me parece um cenário nefasto para o Benfica, Matic é, hoje por hoje, um dos três melhores '6' do Mundo e o melhor jogador do plantel. Arriscaria mesmo dizer «vendam quem quiserem, menos o Matic!». A economia, o défice, o passivo são terríveis, mas perder Matic em Janeiro era hipotecar muito do futuro desportivo (que com ele entre nós pode ser de sucesso e consequentemente um desanuviar no capítulo financeiro), portanto, a termos que vender alguém em Janeiro considerem o Matic intocável. O sérvio é um fabuloso jogador mas é também um tremendo ser humano e devia ser baseado no Matic que o futuro do Benfica se devia escrever, já sei que a economia é madrasta e que clubes mais poderosos tornam quase impossível a sua continuidade por muito mais tempo, mas um jogador do perfil de Nemanja Matic merece todos os esforços.

A vitória foi fundamental, mas o entusiasmo voltou a arrefecer devido à prestação medíocre da equipa, segue-se uma dura batalha, 4ª feira em Bruxelas. Se vencermos poderemos ter um fim de ano civil em grande, perdendo será um grave passo atrás no espírito e moral da equipa. Mas nós somos o Benfica, resta-nos esperar pelo melhor e acreditar sempre nos nossos. E PLURIBUS UNUM

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