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terça-feira, 18 de agosto de 2015

O futuro é nosso



Pai do Sporting. Mãe do Sporting. Filho do Benfica.

Diz o puto que o Sporting é coisa do passado, mas tem a categoria e o fair-play de ir a Alvalade divertir-se. Grande miúdo. Grande benfiquista.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Y vos quien sos ??

Foi assim que Mascherano se dirigiu a Maxi Pereira no último Argentina - Uruguai. Os argentinos repetiram à exaustão a arrogância (confundida por coragem) dessa frase elevando o jefecito a herói do momento no país das Pampas.

Quem é Maxi Pereira ? Qualquer benfiquista enumeraria um sem fim de virtudes e qualidades do raçudo uruguaio. Para mim Maxi é Benfica e Benfica é Maxi. É o jogador com mais alma do Clube e aquele que melhor encarna o espírito E PLURIBUS UNUM.



Portanto, para nós benfiquistas, Maxi não é um qualquer, Maxi é um dos nossos. E toda a novela da sua continuidade no Benfica assume contornos estranhos, similares até com o que aconteceu com Jesus. Vejamos: ambos terminam contrato este mês e ambos foram noticiados para outros clubes, rivais incluídos.

O Benfica, querendo renovar com ambos (ou tendo essa certeza) não deixaria essa questão para o último mês de vínculo contratual (nem sequer último ANO). A juntar a essa dúvida sempre surgiram nomes de possíveis reforços para a lateral direita (Wallace, Mayke, etc), ora sendo Maxi dono e senhor do lugar e tendo Nélson Semedo (lateral direito da equipa B) garantido no plantel principal...não percebo o interesse em termos 3 defesas direitos..

Claro que tudo pode ser especulação da comunicação social, mas o facto é que o Benfica não renovou - a tempo e horas - com Maxi (nem com Jesus) porque não o(s) achou imprescindível(eis). Essa é a minha opinião.

Ninguém permite que se entre no último ano de contrato, sem se renovar, se houver interesse em continuar essa ligação. E depois parece que só a associação aos "papões" Porto e/ou Sporting faz soar o alarme na Luz.

Sejam homens, se não querem continuar a contar com as pessoas assumam-no em vez de lhes procurarem escolher o destino. Se acho que erraram com Jesus (e o futuro pode na mesma continuar a ser risonho) parece-me muito pior que se repita o erro com Maxi, que em 8 anos se tornou num dos imprescindíveis e uma autêntica bandeira do Clube.


Reza a "lenda" que Maxi terá respondido a Mascherano: sou o uruguayo que ganhou a Copa América em tua casa. Mascherano terá feito a pergunta sentindo que vestia a camisola culé (detentor do triplete em Espanha) e não a albiceleste, porque o Uruguai não é província argentina nem tem menos Mundiais... É aliás o detentor da Copa América'11 disputada na...Argentina, onde eliminou os anfitriões.

Mas Maxi, mesmo que ele estivesse de camisola azul-grená, recorda-lhe que houve um dia em que 11 rapazes vestidos com um Manto Sagrado, igual ao que envergas na Luz, se cruzaram com os super favoritos blaugrana e quem trouxe a "Copa" fomos nós, os benfiquistas.

Há que respeitar sempre os adversários, mas antes disso temos que tratar bem dos nossos...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Porquê o Benfica ?

Diz-se que se escolhe o partido, a mulher ou a religião mas não o Clube. Soa a frase feita, a cliché, mas a verdade é que ser do Benfica é mesmo diferente.

As primeiras razões terão ver com a génese humilde deste Clube, desde o início foi um clube do povo, com gentes de poucos recursos mas que amavam o desporto e queriam competir. Na altura era os clubes das elites, os «ingleses» quem dava cartas no futebol, até serem derrotados pelo Benfica. Esta vitória angariou ainda mais adeptos para aquelas gentes que haviam destronado os mais fortes com menos recursos. O mito nascia.

Depois há o primeiro golpe baixo do Sporting, que sendo elitista não tinha os mesmos resultados e popularidade que o Benfica e resolveu "roubar" mais de meia equipa do rival. Acenando com o dinheiro, o elitista Sporting, à custa do Benfica, ficava agora com uma equipa de elite, também desportivamente.

Nada disso afrouxou a paixão e o furor benfiquista, muito pelo contrário, o Clube continou a criar raízes no povo português. A "diferente" génese do Benfica terá contribuído (mais que o sucesso desportivo) para a sua popularidade. Popularidade essa que teria novo episódio marcante na construção do Estádio Da Luz, com muitos sócios e adeptos a contribuirem monetariamente e até com sacos de cimento para tão grandiosa obra.

Foi essa união e democracia (o Benfica tinha eleições democráticas muito antes do próprio país) que nos tornaram na maior potência desportiva de Portugal. As conquistas europeias de 60 (década onde fomos o maior clube da Europa) apenas serviram para nos tornarmos num Clube Mítico, muito além das fronteiras do país.

Na sua História, o Benfica sempre se regiu por princípios honestos e desportivos, foi muito por esse comportamento exemplar que construímos Valores Benfiquistas, imunes à corrupção ou à falta de desportivismo. E isto não tem preço, não há conquistas ou títulos mais importantes que a honra e o bom nome!

E foi seguindo esta conduta que nos tornámos o Clube mais vencedor, com mais sócios, com mais adeptos e a marca mais potente e reconhecida de Portugal mundialmente.

Vem isto a propósito dos comportamentos dos nossos adversários (que para nós não passam disso mesmo, adversários e rivais). Costuma dizer-se que há dois grandes clubes em Portugal: o Benfica e o Anti-Benfica. Porque nós benfiquistas "apenas" festejamos as nossas vitórias, só "torcemos" pró-Benfica.

Ora isso é impossível tanto no Sporting como no Porto. Os do Sporting perderam qualquer orgulho ou amor próprio para o anti-benfiquismo, nem se importam das suas derrotas desde que o Benfica não ganhe (pequenino). Não tendo conquistas próprias para festejar, regozijam-se com as derrotas do Benfica (muito pequenino). E, chegam mesmo ao surreal de, no mesmo dia em que se vêem afastados da Europa (pela 3ª vez) e atingem a pior classificação de sempre (!!!) aparecem extasiantes .... perante uma derrota do Benfica.

Um benfiquista quer lá saber dos resultados dos outros, nós queremos ganhar os nossos jogos. Só. Eles não, eles festejam contra o Benfica. E isto apenas nos torna Enormes a nós e pequeninos a eles, o único clube grande somos mesmo Nós (também pela pequenez de adversários...muito pequeninos).

Os portistas então são um caso à parte. Parece que têm atracção pelo encarnado, só vêem vermelho. E isso impede-os de não conseguirem deixar de ser um clue regional. Mesmo tendo dimensão europeia não conseguem ser um clube nacional, são efectivamente um clube regional de dimensão europeia e tudo fruto de um ódio incompreensível ao Benfica.

Ou melhor, de um ódio fomentado há 30 anos pelo personagem mais sinistro e mais lesivo na História do Desporto Português. E só é tão lesivo, e continua a ser, porque tem a conivência dos centros de decisão e de uma Comunicação Social (CS) nepotista e sem espinha dorsal.

Mourinho que é Mourinho sucumbiu a uma CS implacável e que não deixa pedra sobre pedra na busca da Verdade. Tivesse Portugal uma CS da igualha da CS desportiva espanhola e talvez (talvez...) fossemos um pais desportivo à séria. Mas somos mesmo um país de brandos costumes, ou melhor, aqui tecem-se loas a quem vence corrompendo e aponta-se o dedo a quem insiste em lutar contra isso. O «tacho» e os «jobs for the boys» são metáforas perfeitas para a imundice que reina em 90% da CS desportiva portuguesa.

Parece que as regras do jogo - onde se dá destaque ao falcato e se pune o orgulhosamente honesto - são estas, e é nestas condições "ditatoriais" que temos que ir a jogo, nós sim, contra tudo e contra todos.

Este texto vem a propósito de outro que li hoje (de um vimaranense) e que tenho que partilhar, porque espelha com Verdade aquilo que se desenrola em Portugal, ano atrás de ano, E PLURIBUS UNUM nunca fez tanto sentido.

A pequenez de "Ser Porto"
"Ser Porto", engloba uma sensação contrastante do que parece. É uma revolta pessoal e colectiva derivada da pequenez, disfarçada com alguns títulos, que toda a gente sabe como são ganhos.

Até os próprios. "Ser Porto", é o máximo complexo de inferioridade. O Porto é um clube ganhador, pois desde logo começa a época a poder ganhar cerca de 8 títulos : os 4 que pode ganhar, e os 4 que o Benfica pode perder. O adepto do Porto, é como um padeiro a quem sai o Euromilhões : aparece de Ferrari, mas ninguém lhe reconhece mérito.

E é o que falta ao Porto: Reconhecimento.

Nem pelo próprio presidente da Câmara! As teorias são muitas, desde logo a das gerações mais novas: "Em 25 anos, vi o Porto ganhar 25 títulos".

A esse argumento demente, a questão é : quando a vossa avó faz 80 anos, vocês festejam 25 anos também? É que desde que nasceram só viram 25 celebrações de aniversário!

Nestes 15 dias (pois eles andaram todos na toca durante a época toda), até penta-campeonatos (sem saberem que eram tetra) de hóquei se celebraram. Mais o título de andebol.

A maioria dos adeptos não sabe UM jogador de cada modalidade, mas festejaram porque? Porque é contra a pedra no sapato da vida deles: o Benfica.

As virgens ofendidas que levaram uma prostituta a beijar a mão ao Papa, ofenderam-se com o pseudo-gesto-obsceno do Carlos Lisboa no ano passado, em basquetebol. Naquela semana, o basquetebol era o desporto da vida dos "somos porto". Passado 15 dias, a modalidade termina e a carneirice habitual instalou-se.

Então não há meia dúzia de centenas de milhares de euros para preservar uma modalidade histórica que, pelos vistos, tinha muitos adeptos? É triste, mas é verdade. Caramba, só os carros da Fernandinha e da Carolina, dariam para pagar mais uma ou outra época à modalidade ! O portista é assim. Prefere uma derrota do Benfica a uma vitória do Porto.

O Benfica é um clube que não se sabe muito bem de onde é. Instala-se em Gaia, e parece que está em plena Avenida da Liberdade. Vai a Paris, e não se percebe se se está em Portugal ou França.

É duma dimensão que o Porto JAMAIS chegará.

E tudo porque, cá dentro como lá fora, se sabe como o Porto ganha! Mas isto não é um post sobre futebol, é sobre sociologia, e estamos a falar sobre o complexo de inferioridade do adepto do Porto.

Vejamos: se são melhores, se ganham mais, se vende mais, se vende por mais, se vão mais longe, se isto, se aquilo, porquê tanto ódio? Porquê? É triste ver gente com poucos dentes e sem a 4ª classe a falar do tempo do Salazar.
Gente que nem o nome do próprio clube sabe dizer (puarto), que vem justificar o facto do Porto ser clube grande, clube esse que não passa de novo riquismo do futebol (pois isto das vitórias é recente, já o Benfica era um colosso mundial, estatuto a que NUNCA irão chegar).

Mas sou obrigado a repetir a pergunta: PORQUÊ TANTO ÓDIO?

Ok, eu ajudo-vos : complexo de INFERIORIDADE.

Será que falta um bola de ouro, como Benfica e Sporting já tiveram? Será que falta um jornalista espanhol que venha desmentir um dos melhores jornalistas espanhol e do mundo, que afirmou com todas as letras que o Porto é um clube corrupto? Rivalidade entre clubes é normal, mas nunca vi um rival cantar numa final, o cântico contra o adversário nacional, como os portistas fizeram contra o Montepellier, na final da Champions. Ou o Lens, ou lá que equipa era. Não prova uma coisa, prova duas: a pequenez portista, e a grandeza benfiquista da maior instituição em Portugal, o Sport Lisboa e Benfica.

E isso custa ao portista.

Dói. Eles riem-se e celebram, provocam, cantam ... mas falta ali algo! Falta cultura, falta reconhecimento, falta muita coisa. Já está enraizado que não faz mal que seja roubado dinheiro e feitas contratações de milhões e milhões por Valeris, Leandros, etc.

O que importa, é combater internamente o Benfica.

O maior título do Porto, é a derrota do Benfica.

Já o Benfica, vive para dentro do clube, e para fora do país. É um clube sustentável, que quando mudar o presidente, não ficará preso a máfias e dependentes de problemas dos pais dos árbitros para vencer. Uma coisa é certa. Para o ano, o Benfica pode não ser campeão. Mas jamais festejará um "não-título" do Porto, pois isso é tipico dos pequenos.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Micro-Ciclo

O Benfica está de volta já no próximo sábado (os benfiquistas sabem bem o tédio que a expressão Compromissos da Selecção Nacional representam para nós: impaciência, frustração, enfim, não haver futebol d'O Maior é uma valente seca!), na Catedral. É com a visita do Rio Ave que se inicia novo micro-ciclo.

Vejamos então o que dita o nosso calendário: Rio Ave (30 de Março, Luz, Campeonato) ; Newcastle (4 de Abril, Luz, Liga Europa) ; Olhanense (7 de Abril, Olhão, Campeonato) e Newcastle novamente (11 de Abril, Newcastle, Liga Europa).

O primeiro jogo - frente a um Rio Ave que tem apresentado bons resultados e bom futebol - espera uma Luz bem composta (é preciso matar saudades e demonstrar pela enésima vez Quem Nós Somos) e uma vitória sem apelo nem agravo. Jogue quem jogar, com maiores ou menores dificuldades o Benfica vence esta partida! Se tiver que opinar..aposto que atropelaremos o digno opositor.

Páscoa e liderança (de 4 ou mais pontos...) festejada, segue-se a Liga Europa e nova romaria ao Estádio da Luz. O adversário não é tão permeável como se possa pensar (afinal de contas estão nos 1/4 de final) mas também não chega para nos assustar. Numa daquelas noites europeias que o Inferno da Luz celebrizou, podemos vencer por 2 ou mais golos de diferença (arrisco um 3-0 ou 4-1), mas se o jogo se tornar complicado, marcar e não sofrer (como frente ao Bórdeus, por exemplo) pode revelar-se fundamental. Há um período de descanso importante entre Sábado (Rio Ave) e 5ª feira (Newcastle), portanto importa "acelerar" e tentar deixar os ingleses em sentido.

Mas a verdade é que no Domingo há um jogo fundamental (o mais importante deste micro-ciclo) em Olhão (onde Jesus ainda não venceu para o Campeonato Nacional) frente à aguerrida equipa de Manuel Cajuda. Se bem me recordo, o último enfrentamento entre JJ e Cajuda redundou num 0-4 para nós (Leiria-Benfica na Marinha Grande), com uma belíssima exibição colectiva. Mas as equipas de Cajuda nunca são fáceis de bater e se a isso acrescentarmos o desgaste da Liga Europa e o pouco tempo de recuperação...a dificuldade aumenta ainda mais. Penso que o Benfica tem de ser pragmático aqui, não pode sofrer golos e tem que ser eficaz (muitas ou poucas, é certo que teremos oportunidades de golo).

A chave do 33º passa por Olhão. Vencendo ali ficam a faltar 5 jornadas (3 em casa e 2 fora) e o título praticamente à nossa mercê. Vai ser difícil (a descida de divisão está bem presente nos homens de Olhão) e como já referi, o Benfica não venceu ali nas últimas 3 deslocações para a Liga principal. Só um grande Benfica (diferente do que ali venceu esta época na Taça da Liga), sério, competente e acima de tudo eficaz, pode trazer os 3 pontos. Vestir o fato-macaco soa a frase feita, mas neste caso faz todo o sentido.

4 dias depois visitamos Inglaterra para discutir o acesso a outra meia-final europeia. Estou convencido que faremos golos em Inglaterra (raramente ficamos em branco..) e o próximo jogo dista 6 dias (2ª mão da meia-final da Taça de Portugal a 17 de Abril) e nem é de elevado grau de dificuldade, portanto, e como JJ já disse: é colocar a carne toda no assador. Acredito que Rodrigo será a chave desta partida (feeling).

Finalizado este micro-ciclo com a glória que se espera, o Benfica terá um pé no Campeonato, pé e meio na Taça de Portugal e encarará o sorteio europeu de 12 de Abril (assim o espero) com a confiança em alta e a saber que estamos a 3 jogos de escrever História! Outra frase feita do futebolês diz que há que pensar jogo a jogo, estou totalmente de acordo, mas analisando apenas este micro-ciclo, o passo intermédio para uma época gloriosa está aqui.

As vitórias trazem moral e diminuem o cansaço, com possíveis 14 jogos até final da época é com esperança que olho para o calendário. Sim, é possível! Façam-no à Benfica! Todo o sangue, suor e lágrimas valerão a pena para se atingir a glória. É importante que os jogadores e técnicos encarem a recta da meta com a máxima concentração, o Céu é já ali, está à vista, mas para o alcançar é fundamental ter a cabeça no lugar e os pés no chão, de outra maneira o trambolhão espreita a cada esquina.

Estou confiante. A equipa merece a nossa confiança. Connosco quem quiser, contra nós...quem puder!!

domingo, 17 de março de 2013

Ninguém pára o Benfica. LITERALMENTE!

23 de Outubro de 2012, Moscovo. Data e local da última derrota (2-1) do Benfica na época em curso. Daí para cá, 5 meses decorridos, 5 empates e só vitórias (ficámos em branco 2 vezes nesse período, Barcelona e Braga, ambos empates a zero).

Começando pela última 5ª feira, o Benfica venceu o 4º jogo consecutivo na Liga Europa no Parc Lescure (onde ninguém vencia nas competições europeias desde 2006) e fê-lo de forma tranquila, simples demais até. Com vantagem na eliminatória, mostrou maturidade de equipa de Champions (mesmo com 3 "novos" jogadores nos 4 defesas) e marcou quando tinha que marcar.

Nunca acusou nervosismo (tal como a dupla estreante do centro da defesa: Jardel & Roderick) e nunca esteve em desvantagem. A braçadeira de capitão parece ter funcionado como doping em Gaitán, que foi o MVP da partida. Cardozo - já uma lenda do Benfica - entrou e fez 2 golos (ultrapassando o mítico Néné), tornando-se o 2º melhor marcador de sempre (atrás de Deus Eusébio) do Benfica nas competições europeias.

Com 4 vitórias em 4 jogos, esta Liga Europa parece "curta" para tanto Benfica...mas ganhá-la seria inédito no historial centenário deste Clube (uma única presença na final - ainda disputada a 2 mãos - perdida frente aos belgas do Anderlecht). Segue-se o Newcastle nos 1/4 de final.

O Benfica tem-se apresentado bem perante equipas inglesas, logo, à partida, há algum optimismo nesta fase (quartos de final) que o Benfica atinge pelo 4º ano consecutivo (talvez só nos anos 60 haja algo semelhante). Há o handicap da 1ª mão ser em casa..mas o Benfica tem feito golos a toda a gente e em qualquer campo. Sobre o Newcastle falarei noutra altura.

Hoje houve Campeonato em Guimarães. E houve mais uma demonstração da valia deste Benfica. Foram 4 golos sem resposta mas poderiam ter sido 8, cheirou insistentemente a goleada tal a facilidade com que os avançados e extremos benfiquistas rasgavam a defesa contrária. Cardozo (quem mais ?), Garay, Salvio concretizaram as suas chances e Rodrigo fechou o marcador.

Gaitán, desta feita na esquerda (havia jogado no centro do terreno em França) e sem braçadeira, voltou a "pintar a manta" e fez mais um grande jogo. Lima (que havia descansado na Liga Europa) é um portento físico e capacita o nosso ataque de armas capazes de dinamitar qualquer defensiva.

Uma palavra ainda para Aimar, que voltou a jogar alguns minutos. Aimar é o "óleo" que agiliza o motor desta equipa. Com ele em campo multiplicam-se as linhas de passe (que só ele vê) e a equipa ganha magia, a bola corre mais "redonda", os jogadores cansam-se menos e progridem de forma quase imbatível. O melhor Aimar garantiria o(s) título(s).

Conclusões: finalizado o mês de Março (falta o jogo de dia 30, na Luz frente ao Rio Ave), o Benfica tem 4 pontos de vantagem sobre o segundo classificado com 7 jornadas para o final (4 em casa e 3 fora). Com 23 jornadas disputadas temos 60 golos marcados e 14 sofridos, estamos invictos nas provas nacionais e fazemos golos (no Campeonato) há 27 jornadas consecutivas. Com a final da Taça de Portugal praticamente garantida e com uma boa percentagem de possibilidades de atingirmos nova meia-final europeia, o Benfica começa a tocar o céu.

Está tudo em aberto e nada se venceu ainda, logo nada há para festejar, ainda assim, hoje, 17 de Março de 2013, o Benfica é a única equipa que depende apenas de si para ser Campeão e isso já é uma belíssima vantagem. Uma coisa é certa, este Benfica faz golos em todo o lado e é tremendamente difícil de derrotar.

domingo, 10 de março de 2013

40J = 30V ; 8E ; 2D

Ao 40º jogo oficial, o Benfica alcança uns impressionantes 88 golos marcados e 24 sofridos. Nestes 40 jogos, só ficámos em branco 4 vezes (Glasgow, os 2 jogos com o Barcelona e em Braga na meia-final da Taça da Liga) e exclusivamente no Campeonato Nacional levamos uma série de 26 jogos consecutivos a marcar (a última vez que não balançámos as redes contrárias - porque Soares Dias não quis... - foi a 9 de Abril de 2012 - quase há um ano - em Alvalade).

Falando unicamente da Liga 12/13 somos o melhor ataque (com 56 golos), temos a melhor diferença de golos (+42) e a segunda melhor defesa (14 golos sofridos, sendo que 8 deles resultam dos 4 empates, quer isto dizer que sofremos 6 golos em 18 jogos). E por falar na nossa defesa, ela está invicta desde a recepção ao Leverkusen (vitória por 2-1) e no Campeonato desde a ida à Choupana (a 10 de Fevereiro).

Na Taça de Portugal, e a um jogo (17 de Abril de 2013 na Luz) da final, ainda não sofremos qualquer golo (!!!) e marcámos 18 até agora. Vencer a Taça sem sofrer golos era um registo impressionante.

Não há volta a dar, a época 12/13 do Benfica tem sido quase perfeita (Moscovo, com o pior jogo da época e os penaltys na Pedreira impedem a perfeição. Segue-se o Bordeaux na próxima 5ª feira (que pode colocar o Benfica nos 1/4 de final de uma competição europeia pelo 4º ano consecutivo) e no Domingo seguinte deslocação ao berço da Nação para defrontar um aguerrido Vitória.

Se em França o Benfica nem precisa vencer (embora fosse muito importante vencer), em Guimarães será um jogo difícil e chave para o 33º. Primeiro a oposição, o Guimarães, como todas as equipas portuguesas, transfigura-se ao defrontar o Benfica ; depois, a recuperação dos nossos atletas não será a melhor devido ao curto espaço temporal entre a viagem a França e o regresso ao Campeonato. Aqui pode ser importante a vitória frente aos gauleses, pela motivação extra que dará para o jogo seguinte. E é fundamental vencer o Guimarães porque depois o Campeonato tem uma pausa de 15 dias para os compromissos das Selecções Nacionais e seria importante encarar esse período de "repouso" pelo menos com 2 pontos de avanço para abordar a recta final desta época que se prevê Gloriosa!

Há que confiar e apoiar, ainda não ganhámos nada mas podemos vencer muito se todos estivermos a remar para o mesmo lado.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Ainda o golo de Enzo Pérez

Um dos grandes desbloqueadores naquele futebol-maravilha de Guardiola era, na minha opinião, a penetração de médios e defesas na área. Passo a explicar. As equipas começaram a defender aquele Barcelona em bloco cada vez mais baixo, a qualidade técnica de todos os seus jogadores (todos mesmo) permitia-lhes ter uma posse de bola quase impossível de contrariar.

Mas essa posse esmagadora, por vezes não chega.

Aquele Barcelona nem precisava de um PL. Ora bem, um dos maiores desequilíbrios (ou desbloqueadores como lhe chamei no início) acontecia quando algum dos médios mais recuados (Busquets, Xavi, Thiago ou Iniesta) "entrava" na área (em basket chamar-se-ia um 'corte') a toda a velocidade.

Como estavam no ataque, por norma esses médios não estavam a ser marcados, aproveitavam-se então dessa "benesse" e, ao entrar na área, iam criar esse desequilíbrio, essa superioridade numérica (fruto até de aparecerem "ali" sem marcação, ou "de surpresa"). Se a isso juntarmos a qualidade de passe - exímia - dos jogadores do Barcelona estão encontrados os ingredientes para ocasiões de golo difíceis de defender.

O que aconteceu no golo de Enzo, frente ao Paços de Ferreira no último Domingo, segue um pouco este princípio. Enzo Pérez entra em terrenos que à partida não seriam os seus, aproveita-se da marcação não o acompanhar e o belo passe de Salvio faz o resto.

Este princípio, ou melhor, a inteligência dos médios em "chegar à area" rasgando a defesa contrária e criando superioridade numérica é um dos lances mais problemáticos de defender, mas exige também muita inteligência ao seu protagonista (perder a bola deixa a equipa desposicionada) e boa técnica de passe de quem assiste.

Veremos se Enzo (ou outro médio) voltará a fazer este movimento de ruptura que Guardiola celebrizou ou se o rigor táctico daquela posição impedirá esse risco. Penso que Jesus deveria utilizar a inteligência dos nossos médios (Aimar, Martins, Enzo, o próprio André Gomes) e "mecanizar" este movimento para que seja mais uma arma ofensiva ao nosso dispôr.

São 11 contra 11 e no final ganha... o Benfica

A expressão era utilizada para a Mannschaft face à aparentemente inevitável vitória daquela equipa. Pois bem, o Benfica (que nunca se deu bem com equipas alemãs) tratou de actualizar a expressão e apropriou-se dela.

Despachou uma das mais fortes e competitivas equipas alemãs da actualidade (Bayer Leverkusen) com 2 vitórias em 7 dias (e pelo meio ainda teve que derrubar uma muralha negra de anti-jogo no Campeonato Nacional) apurando-se para os oitavos de final da Liga Europa (Salut Bordeaux!).

Depois da lição de solidariedade na BayArena, o Estádio da Luz assistiu a nova vitória (mais complicada desta feita). Os alemães - através dos discursos proferidos durante a semana - pareciam convencidos que poderiam eliminar-nos e apareceram descomplexados e confiantes. Jogaram ao ataque e criaram perigo logo nos primeiros minutos.

Por outro lado, os nossos jogadores pareceram algo "desligados" nos primeiros 45 minutos. Apesar disso, um bom cabeceamento de Gaitán poderia ter resultado em golo (contra 2 bolas no poste de Artur, sendo que perigosa apenas a primeira).

No segundo tempo jogámos melhor, os jogadores correram mais e demonstrámos uma maturidade apreciável para este tipo de competição. Ola John fez um golaço, Artur só não defendeu o indefensável e Matic (cheio de classe) enviou os alemães para fora das competições europeias. Mais 2 cabeceamentos de Salvio (um por cima e outro contra um defesa) poderiam ter dilatado a vantagem, mas como disse Jesus seria injusto para o Leverkusen.

Depois do 3º classificado da Bundesliga (única equipa a bater o Bayern, em Munique) seguiu-se o 3º classificado da Liga Portuguesa. O Paços tinha 2 derrotas no Campeonato (no Dragão e em casa frente ao Benfica) e chegava à Luz "fresco". Previa-se pois um jogo difícil.

Enzo 'El Principito' Pérez tratou de resolver cedo (8 minutos) as dúvidas acerca do vencedor. Criou um desequilíbrio ao entrar na área e, isolado, bateu o GR adversário. Depois do sufoco da jornada passada, estava feito o mais difícil.

O Benfica continuou a jogar bem e a desperdiçar oportunidades. Na segunda parte, com um Carlos Martins em grande plano, Cardozo marcou o da praxe e Lima (apesar do golo ser atribuído a Salvio) fechou as contas: 3-0 (e foi curto).

Não há volta a dar, seja de forma mais cerebral e calculista (frente ao Bayer) ou com a vertigem do golo em mente, esta época os jogos do Benfica teimam em ter um denominador comum: são 11 contra 11 e no final ganha...o Benfica!

domingo, 17 de fevereiro de 2013

GOOOOOOOLOOOOOOOOOOO !!!!!!!

Estádio da Luz. 93 minutos.

O Universo Benfiquista está na bota de Lima. Deita o guardião Ricardo e o grito GOLO! estremece o Estádio, o País, o Mundo benfiquista!

Era um jogo pós-europeu (tremendo desgaste em Leverkusen) e frente a uma equipa de linha azul e que defende muitíssimo bem. A juntar a isto, o handicap de não contarmos com Matic ("só" o melhor jogador desta época), Cardozo (o melhor marcador estrangeiro da história do Benfica) e André Gomes (o mais recente benfiquista a ser chamado à selecção A).

O Benfica fez um jogo fraco, foi algo lento e isso complica a vida a quem tem que desbaratar uma muralha defensiva e rigorosa desta Académica, repito, de linha azul. Posto isto, e não renegando o jogo menos conseguido dos nossos atletas, aqui ficam alguns dados desta noite:

Posse de bola: 67/33
Cantos:           14/3
Ataques:         53/7
Remates:        17/1

Se a jogar mal, e frente a uma boa equipa (táctica e defensivamente), conseguimos estes números, estou seguro que o Leverkusen, na próxima 5ª feira, vai levar para contar.

Deixemos então o bom futebol para 5ª feira e desfrutemos da alma, da garra, da estrela de campeão que nos garantiu 3 difíceis mas muito saborosos pontos esta noite. Gostei da equipa nunca ter mostrado desespero, face às duas linhas defensivas extremamente cerradas da Académica, o Benfica tentou flanquear sempre o jogo e nunca se precipitou em bombear bolas para a área. Houve algum critério na posse (apesar de demasiados passes errados) para se tentar esburacar um adversário sólido. Conseguimos boas chances e boas jogadas colectivas, ainda assim em muito menor número que o habitual na Catedral.

Mas vitórias destas, ao cair do pano, são muito saborosas para nós adeptos, mas sobretudo para o grupo de trabalho. A última vez que não fizemos golos na Luz foi frente ao Barcelona, no Campeonato já não recordo a última vez que ficámos em branco. Aliás, em todos os jogos desta época, só não marcámos em 3 jogos (em Glasgow frente ao Celtic e nos 2 desafios com o Barcelona), logo, se há coisa garantida por este Benfica de Jesus, é que marcamos quase sempre um golo pelo menos.

Poucos terão tido o sabor do de hoje (excelente Lima sob pressão tremenda) mas foi só mais um na rota iniciada em Julho. Previ 3 vitórias seguidas (na Luz) se vencessemos na Alemanha, pois bem, acho que a mais difícil está ultrapassada. Nem Bayer, nem Paços abdicarão de vencer (ou jogar futebol) enxovalhando o seu nome em benefício de terceiros.

A forma "tresloucada" como os atletas/dirigentes daquela que já foi Briosa reagiram à derrota fazem-me pensar que o pontinho perdido (irrelevante num campeonato medíocre) trazia uma maleta de sonhos amarrada.

Quando soube da nossa despromoção à Liga Europa, em Dezembro, referi que esta competição tem mais uma eliminatória que a Champions e que estes 1/16 de final, disputados em 7 dias e com jogo de campeonato pelo meio, seria tremendamente duro. Passámos (ou estamos quase a passar) esta fase delicada (espera-se que incólume) com nota positiva, ultrapassando o Bayer e derrotando o Paços (próximo Domingo na Luz) chegaremos a Braga com tudo para assegurar outra final esta época.

Hoje estivemos suspensos na bota de Lima, venha de lá o recital na quinta-feira, queremos soltar mais gritos como o que hoje estremeceu o Universo Benfiquista.

Estádio da Luz. 93 minutos.

GOOOOOLOOOOOOOOOOOOOOOO !!!!!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

BayArena, 14 de Fevereiro de 2013

Na Arena de Leverkusen (título apropriado) os nossos jogadores foram verdadeiros gladiadores. Munidos de uma solidariedade e disponibilidade insuperáveis, arregaçaram as mangas na neve da Alemanha e voltaram a silenciar os alemães.

Como havia escrito no post A Retoma na Alemanha, o Benfica apresentou-se com Gaitán e Cardozo (que foram mesmo a chave desta partida) e não defraudou as expectativas optimistas (como a minha). Cardozo fez um remate à baliza, teve uma única chance de golo, resultado ? Golaço à Messi e segunda vitória em terras germânicas no nosso historial (a primeira havia sido em Estugarda - 0-2 - também com Jesus e golos de Salvio e Gaitán).

Mas este regresso a Leverkusen esteve longe de ser simples ou fácil, houve muito trabalho táctico e físico. Começou por Jesus (que voltou a dar um banho táctico ao seu opositor) que, ao recuar os nossos alas (Urreta e John) em transição defensiva, tapou os caminhos da nossa baliza a um Leverkusen desesperado por furar aquela "muralha".

Depois a equipa que entrou muito personalizada e concentrada, nunca acusando qualquer pressão ou sufoco (reparem nos primeiros segundos do desafio, quando André Gomes recebe um passe e é imediatamente pressionado por dois alemães, sem temor, o miúdo dribla-os calmamente e entrega a bola jogável). O Leverkusen, jogando em casa, não teve um início forte ou demolidor porque o Benfica não permitiu, jogou de cabeça levantada e nunca se intimidou.

Com os primeiros esboços ofensivos começava a evidenciar-se que podíamos marcar. Um Matic soberbo (outra vez!) mexia os cordelinhos do nosso processo ofensivo e Urreta/Ola John prometiam ser mortíferos no contra-ataque. Até ao intervalo houve boas oportunidades de ambas as equipas, mas a sensação que ficava no final da primeira parte é que só o Benfica tinha cumprido o seu plano de jogo, os alemães terão-se sentido impotentes perante a nossa estratégia de jogo.

No segundo tempo apareceu Óscar Cardozo. Quando Gaitán simula o remate e deixa a redondinha seguir para os pés do paraguaio, Cardozo cheirou o golo, quando este driblou o penúltimo alemão sentiu o golo, e quando finalmente deu o toque subtil perante Leno, há muito tinha visto a bola beijar as redes. Os matadores são assim, vêem o golo segundos antes deste acontecer.

Os portugueses presentes nas bancadas explodiram de alegria e trataram de cravar a lança portuguesa em território alemão. E içada a bandeira do orgulho, aí ficou imponente e vaidosa até final da partida.

Houve também Artur Moraes (outro dos réus da Choupana), concentrado e ágil, voltou a exibir-se em bom nível. E ainda Melgarejo. Quem criticou veementemente o seu auto-golo frente ao Braga (1ª jornada do Campeonato) não se deve ter apercebido também da dificuldade do seu corte nos segundos finais do desafio. Se no primeiro caso Melgarejo antecipou o seu adversário (Alan, que não venceu um único duelo individual com o paraguaio nessa partida) e efectuou o corte (que fruto de uma tremenda infelicidade acabou na nossa baliza), na Alemanha ele faz um cabeceamento de grande dificuldade: porque a bola está já no seu percurso descendente (em vez de ser preciso uma impulsão para chegar à bola - gesto mais simples - foi necessário sim impulsionar a bola sem esse mesmo salto) pertíssimo da trave e da linha final. Com notável sentido posicional e com o gesto técnico adequado, Melgarejo teve o mesmo impacto que um golo. A cara de felicidade do paraguaio - prostrado nas redes - e as felicitações dos seus colegas ficam como uma das imagens da partida, o Benfica vencia!

A moral do balneário estará nesta altura em alta. Depois dos incidentes da Choupana, a Alemanha foi a retoma perfeita. Seguem-se 3 jogos consecutivos na Luz, no ninho da águia, com essas 3 vitórias o Benfica abordará - a 27 de Fevereiro, em Braga - a segunda meia-final desta época num fantástico momento desportivo.

A retoma começou ontem, a vitória na BayArena terá sido um dos episódios chave no desenrolar da época 12/13. E como se viu (e ouviu!!) ontem, quando todos os adeptos remam para o mesmo lado, apoiando incondicionalmente todos os elementos do Sport Lisboa e Benfica é tudo bem mais simples. E não há mesmo impossíveis para este Benfica!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Ulrich-Haberland, 15 de Março de 1994

Depois do Verão Quente e de um início de campeonato com 3 empates, o Benfica chegava à Primavera liderando o Campeonato e nos 1/4 de final da extinta Taça das Taças (graças ao épico 5-2 do Jamor, poucos dias antes desse malfadado defeso).

O Leverkusen era o adversário. Naquela altura tínhamos equipa para nos batermos de igual para igual com os melhores (na época passada caíramos injustamente frente à Juve de Trap), portanto o nome Leverkusen não me apoquentou. Mas era criança e desconhecia o futebol alemão.

O 1-1 da Luz mostrou-me que não ia ser fácil. Jogámos mal e empatámos, salvo erro com um golo do Isaías muito perto do final. Chegávamos à Alemanha em desvantagem na eliminatória.

O Benfica entrou personalizado e a jogar (bem) ao ataque, sucediam-se as oportunidades e brilhava um tal de Dirk Heinen (que creio que nem era o GR titular) que parecia defender tudo. Marca o Leverkusen. Continuamos a jogar bem, bem melhor, e continuamos a falhar (ou Heinen a defender). Apesar do bom futebol, os alemães fazem o 2-0 com uma boa desmarcação do "monstro" Bernd Schuster.

Na altura lembro-me de ler uma crónica que não esqueci até hoje, dizia essa crónica «vi o jogo no lobby do hotel, com um estrangeiro, com o 2º golo dos alemães, ele soltou um "pronto, foi o fim do Leverkusen". E teve razão. A partir desse momento o Benfica deixou de ter "amarras" e partiu na busca da felicidade». Para um miúdo como eu, aquilo não era de imediata compreensão, mas a verdade é que fez todo o sentido.

O Benfica não foi jogar à maluca, o adversário impunha respeito e havia empatado na Luz, logo, e apesar do bom futebol tínhamos algumas cautelas. Mesmo depois do primeiro golo sabíamos que marcando a eliminatória ficava empatada, é o golo de Schuster que retira qualquer hipótese de prolongamento e solta as amarras mentais dos nossos futebolistas. A partir dali já não havia nada a perder.

E o Benfica entusiasmou-se, fez jus ao seu historial de equipa mítica e foi à procura de ser feliz. E essa felicidade começa onde menos se esperaria: o lateral-direito Abel Xavier. Rui Costa conta que quando recebeu a bola tinha outra ideia, mas que desde o primeiro segundo, Abel Xavier lhe gritava «passa! passa!». O Rui passou. De calcanhar. Um tiraço de Abel Xavier batia finalmente Heinen e devolvia o Benfica à discussão da eliminatória.

Num ritmo frenético, o Benfica não abrandou e chegou ao empate num cabeceamento de JVP (que deu cabo da cabeça ao Schuster, que inclusivé teve algumas entradas muito feias sobre ele) após canto de Rui Costa. Estávamos na frente, o 2-2 apurava-nos. Mas aquele Benfica queria mais, e num fabuloso contra-ataque Kulkov faria o 2-3. Era o delírio, o Benfica havia virado um jogo de 2-0 para 2-3, na Alemanha onde nunca havia vencido.

Com pouco tempo para jogar a eliminatória parecia resolvida, eram precisos 2 golos alemães para sermos eliminados. Surgiu então uma das pechas desse ano: os pontapés de canto (como noutro jogo mítico dessa época: o 3-6 de Alvalade). Havia tal tremideira da equipa (especialmente de Neno) nos cantos que a percentagem de golos sofridos dessa forma seria enorme.

Pois bem, em poucos minutos sofremos 2 golos e estávamos fora. O 4-3 deixou-nos atordoados a todos, depois de tal jogatana íamos ser eliminados. Mas a Mística Benfiquista marcou presença no Ulrich-Haberland naquela noite de 15 de Março e os nossos heróis marcariam o golo do apuramento. O russo Kulkov encarregar-se-ia de culminar uma excelente jogada e levar à loucura os benfiquistas (houve muita gente que se sentiu mal nesse jogo, muita gente que acabou a festejar no hospital) e explicou o que significa impróprio para cardíacos.

Havíamos eliminado o Leverkusen numa das mais belas páginas da nossa história. Quem viu esse jogo, quem viveu aquela batalha em directo nunca mais a esqueceu, que grande Benfica !!

Que os heróis daquela noite de 15 de Março sirvam de inspiração para os de 14 de Fevereiro. Daqui a duas horas há Benfica, façam-nos sonhar. De preferência num jogo próprio para cardíacos. E com vitória!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A Retoma Na Alemanha

Na ressaca do "Carnaval da Madeira" segue-se a Liga Europa. Em Leverkusen, no dia de S.Valentim, pode o Benfica dar início ao namoro europeu.

Tenho para mim que nos saiu a "fava" do sorteio, porque é uma equipa alemã (e o nosso histórico é medonho frente aos panzers) e porque é uma boa equipa de futebol. Historicamente o Benfica sempre sentiu dificuldades com os alemães - porque eram muito competitivos, porque lutavam até ao fim, porque eram 11 contra 11 e no final ganhavam os alemães... - mas Leverkusen é, apesar de tudo, sinónimo de uma das mais belas memórias do Sport Lisboa e Benfica (desse jogo falarei na 5ª feira).

Este Bayer Leverkusen é uma boa equipa, compacta, dura e muito forte fisicamente. Se recordar os 10 minutos iniciais da Choupana prevê-se um descalabro, mas talvez o comportamento mesquinho de um Proença terrivelmente condicionado com o Benfica sirva para aumentar os nossos índices de concentração neste jogo. Acredito que eliminando este Bayer  é legítimo sonhar com o título europeu, mas, a probabilidade de sermos eliminados já é tão grande ou igual.

Jesus dá-se bem com equipas inglesas, puxa a bola para o chão, privilegia a posse e isso dá-lhes cabo do juízo. E depois prepara as equipas para aquele jogo mais físico, aquele kick and rush britânico que muitas vezes torna a vida do adversário num Inferno. Os alemães, apesar de ainda serem altos e fortes, têm hoje muito mais técnica e a força não é o seu único recurso.

O Benfica jogará na Alemanha com um só ponta de lança, perante o 11 da Madeira estou em crer que Cardozo e Gaitán serão titulares. E acredito mesmo que a chave da vitória ou um bom resultado pode estar aqui. Cardozo lutará de igual para igual com as torres alemãs, e Nico pode ser um quebra-cabeças para essas mesmas torres. Ambos chegarão frescos à Alemanha. Esperam-se que inspirados.

Jesus saberá tudo do Leverkusen. Teve tempo mais que suficiente para estudar o adversário (que inclusivé estagiou no Algarve..) e saberá já como sair vivo de Leverkusen. Ao contrário da nossa última LE (onde jogámos sempre a 1ª mão em casa - Estugarda, PSG, PSV, Braga), desta feita começamos fora, e para mim será uma vantagem. Um grande Benfica pode decidir a eliminatória já na 1ª mão (porque na Luz, e atrás no resultado, será muito difícil para os alemães), mas mais importante do que não sofrer será marcar, de preferência mais que um (a minha faceta optimista arrisca um 2-3).

No worst case scenario o Benfica passará um mau bocado e pode ficar atarantado com o jogo aéreo e poderio físico dos alemães. O jogo directo não será solução (com uma desvantagem de 2 golos por exemplo) na Alemanha, é preciso ser cerebral e muito competitivo.

No dia dos namorados, a Alemanha (essa potência "inimiga" dos portugueses) pode tornar-se em mais do que uma paixão e ser o primeiro passo de um amor seguro. Passo a explicar: depois de Leverkusen seguem-se Académica, Bayer e Paços, sempre na Luz, com o tónico da vitória alemã, tenho a certeza que se seguirão 3 vitórias seguidas, chegando nós a 27 de Fevereiro (meia-final da Taça da Liga em Braga) com a moral em alta e a forte possibilidade de assegurar outra final para esta época (depois da Taça de Portugal).

Nesse cenário perfeito, o Benfica entraria em Março com duas finais asseguradas (TL & TP), líder do campeonato (isolado ou não) e com Bordeaux/D.Kiev (ambas inferiores ao Leverkusen) a abrirem boas perspectivas de mais uns 1/4 de final "europeus". Este era o cenário idílico, para mim, muito "dependente" da retoma alemã. Pode estar ali a chave desta época que se espera repleta de títulos.

Esperar que depois do balde de água fria da Choupana, o Benfica dê uma resposta à sua altura na Alemanha. No dia de S.Valentim.