terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Obrigado Monstro Sagrado!

Faleceu aquele que é considerado o maior capitão da História do Benfica, provavelmente o segundo maior jogador do Sport Lisboa e Benfica (só atrás de Eusébio), o Senhor Coluna. Saudades de outro campeão gente boa e um tremendo futebolista que levou o nome do Benfica à glória.

Em Janeiro perdemos o King, Fevereiro leva-nos o Monstro Sagrado...oxalá eles olhem por nós e pelo nosso Benfica lá em cima no 4º anel, e que Maio não nos leve ninguém mas nos traga alguma paz de espírito num 2014 nefasto até agora para a Mística Benfiquista.

Até sempre Senhor Coluna.

Markovic é jogador de playstation

O Benfica - Guimarães de ontem começou com uma inenarrável "disposição táctica" dos vimaranenses, ou melhor, do seu patético treinador. Em cima da grande área, o Vitória exibia uma linha de 8 (!!!) jogadores dando uma imagem provinciana e amadora do que deve ser o futebol de alta competição. Ok, até Mourinho já recorreu a tácticas ultra-defensivas, mas nem no pior pesadelo Trapattoniano me lembro de ver um boeing do gabarito daquele que Rui Vitória colocou ontem no início da partida.

Com um único jogador sem grande preocupação defensiva (Mazou), os outros 10 encurralavam-se junto do seu GR. Logo ali fiquei com a ideia que não ia ser fácil penetrar aquela muralha, ou pelo menos sem que se alterasse algo da nossa estratégia habitual. Como furar então aquela defesa ? As diagonais mais perigosas da nossa equipa são invariavelmente as que resultam das desmarcações de Lazar Markovic, portanto parecia-me ser essa a solução com mais probabilidade de sucesso, porque no jogo "estático" e organizado era muito complicado abanar a estrutura híper conservadora com que o Vitória se apresentou na Luz.

Penso que JJ ter-se-á apercebido disso e terá provocado uma nuance táctica ao permitir que Markovic deambulasse por toda a frente de ataque ao invés de ficar amarrado a um dos flancos. E a verdade é que o Sérvio D'ouro estava endiabrado, nos primeiros 45 minutos rebentou com todos os que lhe apareceram pela frente e culminou o recital com um golo de playstation (L1 + 0 ??), um chapéu brutal num curtíssimo espaço de terreno. Um golo assim...só na playstation mesmo.

O Guimarães, apesar de nunca ter feito cócegas sequer, deixou de estar tão embaraçosamente recuado como nos primeiros minutos e procurou causar algum nervosismo no Benfica, que apareceu a espaços, mas mais pelo que os 3 pontos de ontem significariam do que por uma prestação conseguida. Porque na verdade, ocasiões de golo foram só do Benfica (escandalosa a de Lima, já depois de ter driblado o GR) e a vitória nunca perigou, mas foi uma exibição q.b. apenas.

Lima deve ter corrido uma enormidade mas não foi feliz, louve-se o seu espírito de sacrifício e capacidade de trabalho; Fejsa esteve muito bem, hoje por hoje não o trocava por Javi Garcia: corre tanto ou mais que o espanhol e é mais rápido; Luisão é o xerife da defesa, simboliza o espírito daquela equipa; Enzo esteve mais apagado que o costume, ainda assim a maioria dos lances de perigo começou nele; Rodrigo foi o melhor - depois de Markovic - no ataque, fez um bom jogo e demonstra boa forma (os gregos que se cuidem).

Markovic é um génio. Com a chegada de Salvio à melhor forma e consequente titularidade do lado direito do ataque, pergunto-me se o lugar de Lazar Markovic não deverá ser como segundo avançado, solto, à lá JVP, deambulando por toda a frente de ataque ?

Faltam 25 pontos.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

K.O. de Salónica

Com muitas novidades no 11 relativamente ao último jogo, o Benfica foi à Grécia dar uma lição de futebol aos gregos do PAOK. Ok, o golo solitário de Lima é em fora de jogo, mas creio que Djuricic podia ter marcado de pé esquerdo se Lima não estivesse ali. A verdade é que ganhámos (bem!) com um golo irregular (mal).

Tirando esse pormenor (e atenção que o offside está longe de ser escandaloso) só deu Benfica, longos minutos de trocas de passes (a levar à loucura os adeptos gregos e à impotência os seus atletas) e com uma assertividade e qualidade de topo. Pergunto-me qual terá sido a posse de bola final ? Visto de fora dá a ideia de uma diferença brutal.

Outro ponto: o PAOK não está ao nosso nível, mas está longe de ser uma equipa fraquinha, afinal, parece que ninguém havia vencido no seu estádio...até hoje. Sabendo da diferença entre as equipas, o treinador adversário (Huub Stevens) procurou reforçar o processo defensivo, jogando muito fechadinho e tentando que a sua equipa não se descolocasse e fosse surpreendida pelo Benfica. Apesar de aguerridos, os adversários viam-se literalmente gregos com a qualidade de posse dos encarnados e desesperava por não encontrar antídoto para a superioridade do Benfica.

Fizemos um jogo sério (se calhar até respeitámos em demasia o adversário) jogando sempre pela certa e com uma consistência assinalável (uma única chance de golo permitida e novamente a baliza inviolável), mas acho que podíamos ter criado mais perigo nos últimos 20 minutos e avolumado o marcador a nosso favor.

A vitória nunca esteve em discussão e o Benfica praticamente assegurou a passagem à próxima eliminatória, ainda assim convém recordar que na última vez que defrontámos esta equipa também vencemos lá (1-2) e depois perdemos na Luz pelo mesmo resultado (acabaríamos por seguir em frente nos penaltys).

O Sílvio parece dar-se bem com os ares da Grécia, depois do Olympiakos voltou a fazer um grande jogo e a dispor inclusive de chances de golo. Apesar de achar Siqueira mais jogador, Sílvio tem demonstrado ser uma excelente opção (contrariando as minhas reservas iniciais) e não é por aquele flanco que teremos problemas.

Toto Salvio voltou a jogar (lesionado desde 1 de Setembro) e saúda-se o regresso de um dos principais elementos do nosso plantel, apareceu solto, sem receios e a apoiar bem o futebol da equipa. Daqui a um mês (ou menos) teremos o melhor Salvio no terreno, é essa a minha expectativa, portanto o argentino ainda poderá ser um dos nomes-chave da época 2013/14 (oxalá!!).

Luisão fez o 100º jogo nas competições europeias pelo Benfica (não há ninguém com mais jogos europeus pelo Benfica - ou qualquer outra equipa portuguesa diga-se de passagem) e esteve imperial como sempre, é neste momento o melhor defesa-central a actuar em Portugal (de muito longe).

Também gostei do Lima (90 minutos de trabalho e um bom golo) e do Rúben Amorim, mas acho que o conjunto, a equipa voltou a ser o nosso principal argumento e isso espelha a qualidade e o momento actual do Benfica: seguros, coesos e compactos.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Nos Paços do título

O Benfica amealhou ontem 3 preciosos pontos na luta pelo título 2013/14. Frente a uma aguerrida e organizada equipa do Paços de Ferreira, os benfiquistas vestiram o fato-macaco e demonstraram, outra vez, a solidez do grupo.

Se no derby vestimos o fato de gala e demos um show de bola, ontem essa receita não resultava, portanto mantivemos a coesão (outro jogo sem sofrer golos, nem ameaças de os sofrer...) e lutámos para vencer. Costumava dizer-se que o Benfica, para vencer, tinha que jogar muito, hoje em dia a equipa sabe "ler" as ocorrências e escolher o caminho para a vitória.

Essa alternância de chip entre a classe e/ou a raça prova que os jogadores estão mais determinados e concentrados, sabem que há vários caminhos para o mesmo objectivo: ser campeão! Defensivamente o Benfica está fortíssimo, não é o Oblak (que apenas tem um golo sofrido, um "frango" descomunal que nos custou 2 pontos) que se tem destacado, é todo o processo defensivo que não facilita e não permite qualquer chance aos adversários.

Maxi subiu de rendimento, Siqueira é o melhor lateral esquerdo depois de Coentrão (e ainda não está no máximo das suas capacidades, só agora tem tido alguma regularidade e descanso com as lesões), a dupla de centrais está ao nível das melhores duplas europeias e os médios (sobretudo Fejsa) parecem estar em todo o lado, pressionando permanentemente.

Mas apesar do rendimento defensivo de excelência, considero que o nosso ataque (a "menina dos olhos" da Era-Jesus) tem estado aquém das suas possibilidades. É verdade que Cardozo (o maior goleador do plantel) tem metade (ou menos) dos minutos da equipa e que Salvio (o melhor extremo da equipa, por trazer acutilância ofensiva e capacidade defensiva na mesma percentagem) não conta desde Agosto, mas Rodrigo & Lima têm falhado mais do que acertado, e atenção que o pecúlio de golos de ambos não é nada mau, mas devia ser substancialmente melhor.

Quem tem carregado a equipa este ano tem sido um Gaitán superlativo e um Enzo Pérez estratosférico. Se a equipa no seu todo (sobretudo a defesa) têm sido a maior arma desta época, os 2 argentinos revelam-se como os destaques individuais, acho bem que renovem com ambos e que construam o nosso futuro à volta deles.

No início desta época seriam unânimes os nomes dos 3 melhores elementos do plantel: Matic, Salvio e Cardozo. Pois bem, andamos a jogar sem os três e "só" temos 4 e 5 pontos de avanço ao 2º e 3º respectivamente, além de apurados para as duas meias-finais das Taças nacionais. Matic não joga mais por nós esta época, mas um Cardozo e Salvio "fresquinhos" podem ser chave para o que resta desta época.

Faltam 30 pontos.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O derby do vento ? Não, do vendaval !!

O Benfica recebeu e despachou o seu eterno rival com uma lição de bola que terá envergonhado o mais empedernido dos "lagartos". Recebo-mo-los em nossa casa, dissemos-lhes Olá! e depois recambiamo-los para casa com um valente pontapé no traseiro e com a certeza que o Benfica é areia a mais para a camioneta dos Viscondes.

Antes do jogo havia uma facção que parecia viver numa utopia: os sportinguistas e uma série de "jornalistas". É que a diferença entre aquilo que eles acham que são e aquilo que na realidade apresentam ainda incorpora uns quantos "fusos horários"... Levaram um reality-check à bruta. É que podíamos ter vencido por muitos e não sermos tão esmagadores no domínio do jogo, mas o que se assistiu na Luz foi uma impotência leonina a toda a linha (presidente, treinador e equipa) e um apetite voraz das águias.

O Benfica entrou cheio de fome no jogo, e psicologicamente começou a ganhar o jogo aí: os nossos concentrados e disponíveis para todo e cada lance; os outros a tremer perante a intensidade alucinante do adversário. À medida que a nossa confiança crescia, a "tremideira" deles aumentava, basta entrar o primeiro... sentia-se. E a verdade é que o jogo acabou logo no golo de Gaitán. «Pronto, agora já não conseguimos levar um pontinho» - terão pensado os jogadores do Sporting naquele momento.

O Benfica passou por cima do Sporting sem dó nem piedade (bem, houve alguma misericórdia sobretudo de Rodrigo...) ganhou 90% dos duelos individuais (OLÈ), correu muito mais (OLÈ), teve nota artística (OLÈ) e ainda se deu ao luxo de permitir zero cantos ao adversário e deixá-lo com cerca de 30% de posse de bola (OLÈ).

O Sporting não se viu, não se ouviu e deu menos trabalho que a agora célebre lã de rocha. Já o Benfica mostrou que jogar com 2 médios centro e 2 avançados não é para quem quer... Tacticamente Jesus embaraçou e envergonhou Jardim, tal foi o banho de bola em toda a linha, aliás, o melhor de Leonardo Jardim no derby foram mesmo as palavras finais (as dele e as do Presidente, que pela primeira vez soou a Presidente e não a líder de claque).

No nosso Benfica houve várias exibições tremendas: Luisão (o gajo mais fundamental da defesa, cortou um número de bolas sem fim, é o patrão deste grupo); Maxi (melhor jogo da época, mantém a raça de sempre - e apesar de achar que ainda está um pouco lento - mas começa a dosear melhor as suas investidas; grande centro para o 1º golo); Fejsa (um poço de força no meio-campo, menos forte que um Javi Garcia mas mais disponível, mostrou que nunca vira a cara à luta, parece talhado para jogos importantes); Gaitán (começa a ser tradição Gaitán fazer gato sapato do Sporting, é um génio cada vez mais trabalhador, sozinho pode decidir jogos, esperemos que este ano decida campeonatos).

E claro, há um jogador que merece um parágrafo só para ele: Enzo El Principito Pérez. Com a saída de Matic, Enzo é hoje o melhor jogador do Benfica (Olá Argentina!) e fez um derby fa-bu-lo-so. O argentino rebentou com o processo defensivo do Sporting sozinho. Primeiro pressiona altíssimo e não permite que se saia a jogar com facilidade com ele por perto, e depois, quando tem que ser ele a iniciar o processo ofensivo do Benfica...demonstra recursos infindáveis. Vejamos, não raras vezes tentou-se "apertar" com Enzo quando recebia a bola entre linhas, e muitas dessas vezes o benfiquista nem tinha linha de passe visível e mais que um adversário em cima, pois bem, ele nunca se atrapalha, finta, gira, mantém a posse e quando não há mesmo alternativa....arranca e ninguém o agarra. As acelerações de Enzo Pérez no meio campo ofensivo esfrangalharam completamente o Sporting, naquela noite Enzo pareceu imparável. No dia em que a esposa fora operada fez o segundo golo (e que golo!) e emocionou-se verdadeiramente não contendo as lágrimas perante um Estádio da Luz em êxtase. Perdemos o Matic...mas ainda temos o Enzo!!

Mais que o resultado, a exibição mandona e autoritária do Benfica foi um depressivo tremendo para os adversários Porto e sobretudo Sporting (que terá pensado: contra estes não dá, vamos tentar bater-nos com o Porto) que observaram uma equipa fortíssima fisicamente e que melhora a nota artística a cada jogo, só falta ser mais concretizadora (bem vindos Salvio & Cardozo).

Portanto o vendaval da Luz ficará para a História como o dia em que atropelámos o Sporting com uma classe e unanimidade poucas vezes vista (como aliás fizeramos ao Porto há cerca de um mês) em 180 minutos despachámos os dois rivais com 4 golos sem resposta e zero oportunidades concedidas, o que é obra para uma equipa que passou meio campeonato a defender mal e a sofrer muitos golos. O grande mérito é dos jogadores de de Jorge Jesus, afastaram finalmente os traumas de Maio passado e deram a volta por cima: meias-finais das Taças nacionais e líder isolado do Campeonato, sendo a única equipa que depende apenas e só de si para se sagrar Campeã.

Faltam 33 pontos.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

E o burro sou eu ??

«Estamos a 3 pontos devido a uma arbitragem escandalosa e vergonhosa» Pinto Costa 16.01.2014

«Na...os árbitros já não ligam a isso. Estar sempre a falar de árbitros, além de ridículo é estúpido. Portanto, como há muito estúpido vai-se continuar a falar» Pinto Costa 14.12.2012

http://www.frequency.com/video/so-os-burros-falam-de-arbitragem-vieira/91235842/-/5-915632


Um ano é muito tempo...mas a verdade é que à declaração de 14 de Dezembro bastou um mês (13.01.13) para que as palavras "calassem fundo" e ouvissemos o seu autor (e o seu então treinador) palrarem nos corredores da Luz após um empate (2-2) frente ao Benfica. Nesse dia, e como o empate foi muito melhor do que se estava à espera (o Benfica vinha esmagando todos os adversários e exibindo excelente nota artística ; ao passo que o Porto vivia um período depressivo de fraco futebol apresentado) os artistas-do-vaticano-azul-escuro "desfilaram" na Luz procurando os holofotes, atraídos subitamente por todas as câmaras e microfones. Nada como desfilar as vestes e exibir a (pouca) massa encefálica depois de escapar vivo do terreno do maior adversário.

Entusiasmados com a não-derrota, as mentes captas viveram os seus 15 minutos de fama vociferando tudo o que lhes deu na gana, ou melhor, repetindo a Cartilha-da-Corrupção que durante décadas foi provocando sorrisos nos idiotas úteis e náuseas em quem quer o desporto limpo e justo.

Um ano depois, e vergados à derrota (2-0) e a uma superior exibição dos encarnados...pufff, temeram os holofotes e fugiram o mais depressa possível de todo e qualquer microfone. As conferências de imprensa do Porto, em dias de derrota, são cópias perfeitas umas das outras: por norma são conferências-relâmpago, duram escassos minutos, têm pouquíssimas perguntas e respostas quase mono-silábicas. Nessas alturas de derrotas claras não vemos o sr. Costa pavonear-se para as câmaras (nem abre o bico...), tivessem eles ganho e até na sala de imprensa da Luz o Papa se teria apresentado (e nem seria inédito, relembremos o 0-1 do golo de Petit anulado por Benquerença e o bate-boca pindérico com Nuno Gomes).

Desta feita fugiram com o rabinho entre as pernas poupando-nos às bacoradas do costume. Ou pelo menos assim pensámos nós, face à unanimidade da justeza do desfecho final. 4 (!!!!) dias depois (esperou pelo desfecho do jogo da TL frente ao Penafiel, não fosse a coisa correr mal ??) , o ex-corrupto (risos) abriu o manual-da-corrupção na pág.23 e disse a mesma trampa de sempre, sendo que desta feita já poucos o levaram o sério (até nas suas hostes foi lamentada a esterilidade do "documento" - e sim, aquela cartilha já é uma história antiga...).

Mas ainda há quem queira ser mais papista que o papa (como se isso fosse possível!), por exemplo um avençado do Jornal Oficial Grémio Olival rabiscou o seguinte:


Não seria difícil a este último agarrar-se à infelicidade de um lance ou outro, ou até à contabilidade da arbitragem, para sugerir que a derrota foi acidental, mas as várias derrotas acidentais que o FC Porto teve esta época foram diferentes desta. Na Liga dos Campeões, Fonseca conseguiu, apesar de tudo, extrair da equipa um espírito e uma continuidade de jogo que não se viram na Luz nem, há duas semanas, em Alvalade.

Retenho a infelicidade de "um lance ou outro", na verdade o Porto teve UMA chance de golo, aos 45', infelizmente foi em offside (não assinalado). E depois, a medo, no meio da "prosa", uma referência à "contabilidade da arbitragem", dando a entender que o saldo seria negativo às suas cores. Nada de enumerar essa "contabilidade", porque o desempenho já havia sido embaraçoso o suficiente para se meter em guerras que nem o próprio líder azul e branco havia arriscado (escreveu antes da "entrevista" pacificadora), e as contas podiam-lhe sair furadas...

Dias depois, volta à carga, já "confiante" pelo ok norte-coreano:

Emendou ainda os pruridos de Fonseca na Luz a respeito da arbitragem e o hábito recente do FC Porto de pôr a autocrítica à frente da oportunidade de pontuar no nosso popular campeonato das culpas da arbitragem.

Portanto, agora já eram "pruridos de Fonseca", quando toda a gente calou o bico perante a superioridade do Benfica (incluindo ele) no Clássico. E achei piada à referência à autocrítica...


A entrevista de Pinto da Costa não podia ser mais cristalina quando afirmou que se o Porto ficar em terceiro, Paulo Fonseca renovará contrato, mas disso ninguém parece ter dado conta. Disso e da lata em falar do jogo com o Estoril, onde viu Otamendi ser perdoado a uma expulsão clara que deixaria os portistas 60 minutos com menos um jogador... Que o clube condenado por corrupção desportiva e seus dirigentes sejam cegos, parciais e mentirosos tudo bem, mas que a suposta Comunicação Social portuguesa se comporte como o burro atrás da cenoura...isso já me parece pouco sério e uma tentativa soez de envenenar a opinião pública.

Tudo isto me faz lembrar o mais famoso devoto da Sra do Caravaggio, E o burro sou eu ??

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Época 2013/2014: opinião sobre a primeira metade

A época 13/14 começa ainda sobre o espectro do pesadelo vivido nos últimos jogos da temporada anterior, os adeptos estão descrentes e a equipa não galvaniza. Nas pré-épocas do Benfica é comum ver-se uma euforia generalizada com as expectativas de toda a gente em alta. Em Julho/Agosto o céu é o limite. Nesta pré-época não se viu nada disso, observámos uma equipa tristonha e um pouco à deriva.

Viveu-se um tempo estranho, o Benfica não tinha uma voz de comando nem um caminho bem definido. Aquele que vinha sendo o maior "gestor desportivo" do Benfica nos últimos anos - Jorge Jesus (para o bem e para o mal) - parecia também anestesiado e a derrota na 1ª jornada do Campeonato foi quase esperada (6 meses depois é ainda a única em provas nacionais).

Depois de 3 pontos "jogados fora", soou o alarme (tarde!) e Luís Filipe Vieira deu uma boa entrevista esclarecendo muita coisa e acalmando as hostes. O Benfica continuou a jogar pouco (só perto do final do ano civil arrancaria as primeiras grandes exibições, em Atenas e no derby da Taça de Portugal) mas foi-se mantendo perto da liderança da Liga.

Vários jogadores-chave apresentavam-se muito longe do exibido na época passada (Garay, Matic e Lima por exemplo) e a equipa tardava em transmitir confiança e esperança aos adeptos (o número de espectadores na Luz era a prova disso - apesar de liderarmos assistências...). Em contraste com o fraco desempenho no jogo jogado, havia altíssimas expectativas por parte da administração que sonhava com a final da Champions no Estádio da Luz e que, pela voz do Presidente, considerava este «o melhor plantel dos últimos 30 anos». Alguma coisa não encaixava...

Eu considerei este o melhor plantel dos últimos 20, com soluções para todo o género e feitio e com uma série de jogadores fabulosos. Ora sendo este o melhor plantel da era Jesus, porque exibíamos então o pior futebol (de longe) dessa mesma Era ?? Jesus parecia ser o denominador comum e o "culpado" mais óbvio.

Mas há outros aspectos a considerar, desde logo o "melhor plantel". O jogador em melhor forma durante toda a pré-época chama-se Toto Salvio. O único extremo que é capaz de ir à linha de fundo e ao mesmo tempo apoiar defensivamente. O nosso extremo mais desequilibrador está lesionado há 5 meses (desde a 3ª jornada em Alvalade) e não há ninguém com as suas características...

Depois há ainda o melhor marcador estrangeiro da História do Sport Lisboa e Benfica: Oscar Cardozo. Depois de um defeso em que encheu capas e capas de jornais e em que a sua saída esteve iminente, o paraguaio acabaria por permanecer entre nós (mas sem pré-época feita). Em boa hora Vieira não cedeu à pressão de "vender de qualquer maneira" e, não existindo nenhuma proposta que correspondesse às expectativas do Benfica, Cardozo estava de volta ao grupo.

Portanto, este grupo estava órfão não só do melhor extremo mas também do melhor marcador. Assim talvez se perceba melhor a escassez de golos mas não serve de desculpa para o fraco rendimento defensivo.

Cardozo ainda demorou a ficar em forma e a começar a facturar, mas quando o Tacuara encontrou o caminho das balizas contrárias, os golos e boas exibições sucediam-se. Foi neste altura, para mim o melhor momento de forma de sempre de Oscar Cardozo, que o paraguaio se lesionou (4-3 frente ao Sporting na Taça de Portugal) e continuou de fora até hoje...(voltará frente a uma das suas vítimas preferidas na 18ª jornada ??)

Com a subida de forma de Matic & Enzo Pérez o rendimento da equipa melhorou e defensivamente tivemos uma melhor estabilidade. Mas a verdade (e contrariamente a outras épocas) é que continuávamos sem ter um 11 base e íamos alternando a nossa estratégia e os nomes que a compunham. Houve a questão das laterais (Cortez é um erro de casting), Siqueira e Sílvio tiveram lesões arreliadoras logo de início, e Maxi teimava em estar longe do fulgor exibido noutras alturas. Restava André Almeida, que tem - misteriosamente para mim - jogado pouco esta época.

Na frente tivemos um Lima batalhador mas com uma eficácia muito pequena e a milhas da época passada; e Rodrigo fez um primeiro terço de época desastrado, a roçar a vulgaridade. No último mês e pouco Rodrigo tem feito inúmeros golos e boas exibições, parecendo retomar a forma que o notabilizou entre nós. E talvez por isso se volte a falar na sua venda....

Outra incógnita para mim é o desaparecimento do outro André (Gomes) da equipa e até das convocatórias. Um jovem jogador que na época anterior foi titular em Nou Camp e Alvalade, nunca se intimidando e arrancando belíssimas exibições, está esta época arredado da equipa principal. Apenas na equipa B se vai mostrando, invariavelmente com grandes exibições e golos...

Tal como Rodrigo, também se fala na venda de André Gomes (por 15M), o que me parece absurdo, apesar de quinze milhões serem um bom negócio. Mas trata-se dos poucos portugueses de nível do plantel e com potencial para se afirmar na equipa A e mesmo na Selecção Nacional.

Quando Javi Garcia foi vendido, o espanhol disse que dentro de pouco tempo os beniquistas se esqueceriam dele porque ficava Nemanja Matic. Pois bem, a profecia do espanhol cumpriu-se e no momento da saída, Matic disse algo parecido acerca de André Gomes «vai ser o melhor médio do Campeonato».Depois da saída do melhor jogador do plantel (Matic) parece-me ridículo que se equacione a saída de André Gomes, mais do que a sua pouca utilização na equipa principal.

E sem Matic, o Benfica vê-se neste momento privado, provavelmente, das suas 3 pedras mais influentes: Matic, Cardozo e Salvio. Coisa pouca...  Mas falemos de Matic e da sua venda. É ponto assente que vendemos o melhor jogador do plantel e é claro também que 25M (ainda que a pronto pagamento) é um valor muito aquém do nível do sérvio. A sua cláusula era de 50M, valor que Vieira exigiu no Verão (e houve ofertas bem acima de 30M...), portanto o que levou o Benfica a abdicar, no máximo de 25M e no mínimo de 10M ??

Diz-se que a saída da Champions League ditou esse destino, mas que eu saiba, o apuramento para os oitavos de final rendia menos de 10M (apuramento + bilheteira). Para obtermos 25M na Champions...só vencendo a competição. Parece-me claro que a tesouraria precisava de mais que os valores de passagem aos oitavos de final da Champions...

Houve um grande esforço financeiro no defeso passado para não se vender ninguém importante, tudo bem, mas a gestão da venda de Matic parece-me péssima. Desportiva e financeiramente! Muito mal têm que estar os cofres da Luz para ter sido tomada esta decisão. Matic vale muito mais que 25M, e no final da época o sucesso desportivo (mais provável com Matic em campo) poderia catapultar o sérvio para valores bem mais condizentes com o seu real valor. Portanto o Benfica hipoteca algum do seu sucesso desportivo por 25M...viva o sucesso económico do Clube.

Eu sei que um clube como o Benfica não pode viver acima das suas posses, e que, supostamente, Matic teria feito alguma pressão para sair já, mas será que não há ali um "gestor" desportivo e/ou financeiro que saiba ler esta situação e procurar a melhor saída para o Benfica ?? O Matic, que não pode jogar na Europa por outra equipa, seria tão difícil de convencer durante "apenas" mais 6 meses ?? Conhecendo as pessoas que estão agora no Chelsea (toda a entourage Mendes & Mourinho) não me custa a acreditar que tenha havido pressão "inglesa" para Matic sair já...mas é assim tão imprescindível para eles ?? Mourinho já deitou a toalha ao chão na Champions (visto não poder utilizar o sérvio) ??

Tudo isto não passam de especulações, mas a verdade é que o Benfica não tomou (ou não soube tomar) uma medida de força nesta negociação, estaremos mesmo fragilizados financeiramente ? É que continua-se a falar de outras vendas (Garay, Rodrigo, André Gomes) e de muitos milhões...afinal de quantos milhões necessitaríamos se tivéssemos permanecido na Champions ? Enfim..

Sobra para o mesmo de sempre...o treinador Jorge Jesus (o ás de trunfo da "gestão-SLB" ou sr 200M como lhe chamam os tecnocratas do Clube) que pela enésima vez não se queixou e disse já que vai encontrar soluções dentro do plantel (A e B). Um treinador assim é o sonho de qualquer gestor económico: trabalha "pedras" e transforma-as em diamantes.

Na verdade, o trabalho de JJ é esse, encontrar soluções para as vitórias, e se não podemos caçar com cão... Resta-nos esperar que mestre da táctica saiba capitalizar a muita matéria-prima do CFC e "espremer" o máximo dos craques que por cá continuam. Porque até aqui, e com tantas contrariedades o Benfica lidera isolado o Campeonato, é a única equipa apurada para as meias-finais da Taça da Liga e está nos quartos de final da Taça de Portugal (visita o Penafiel).

Na Europa foi eliminado da Champions com 10 pontos (pontuação suficiente em mais de 80% dos casos para seguir em frente) e está nos 1/16 da Liga Europa (frente ao PAOK). Portanto e face a tudo o que já se passou esta época (sobretudo o primeiro terço) a equipa parece estabilizar e crescer nesta fase crítica, veremos se há estofo de Campeão entre os nossos, porque de sacrifício e solidariedade já são eles vencedores. Termino com um excerto do Tertúlia Benfiquista, que me parece resumir na perfeição o que foi esta primeira metade da época (as palavras são do Gonçalo, a.k.a. D'Arcy):

«Debaixo de constantes críticas da imprensa e dos seus próprios adeptos, a ter que superar a carga psicológica negativa do terrível final da época passada, com diversos jogadores fulcrais indisponíveis por lesão, com o treinador suspenso durante um mês, o Benfica foi a melhor equipa da primeira volta do campeonato, mesmo que outros tenham sido os campeões das loas. Estamos em primeiro com todo o mérito, e apesar das inúmeras contrariedades que nos têm afligido»


P.S. - na 1ª volta jogámos fora no Marítimo (D), Guimarães (V), Estoril (V) e Sporting (E), 4 deslocações que considero difíceis, e ainda vencemos na Académica e Rio Ave, onde nos últimos anos temos tropeçado. Na segunda volta temos Braga, Nacional e Porto como as saídas mais complicadas, portanto acho que devíamos fazer mais pontos nestes últimos 15 jogos do que nos primeiros 15. Não podemos é perder 4 pontos (em casa!!) com novos primodivisionários como Arouca e Belenenses...