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domingo, 23 de março de 2014

Vitória briosa com nota artística

Grande exibição esta tarde frente à Académica (sofreu mais golos hoje - 3 - que em toda a segunda volta) a fazer lembrar a nota artística doutros tempos. A Académica é uma boa equipa, mas o Benfica hoje foi fortíssimo.

A gestão de quinta-feira frente ao Tottenham resultou em cheio (Jesus referiu que a vitória de hoje começou mesmo na anterior partida) e a equipa hoje esteve insuperável, portanto foram conseguidos os 2 objectivos: 3 pontos esta tarde e quartos de final da Liga Europa.

O Benfica foi dono e senhor do jogo do primeiro ao último minuto, enviou 3 bolas aos ferros e desperdiçou, pelo menos, mais 3 golos feitos. Continuamos, ainda assim, a ser o melhor ataque (a melhor defesa e melhor goal-average) do Campeonato (mas com números muito distantes do que vinha sendo habitual na era Jesus) e a liderar isoladíssimos a principal competição de clubes em Portugal.

Depois do primeiro golo de Lima (iniciou a boa jogada de Rodrigo - em força e velocidade - com um excelente toque de peito), o minuto 27 traria, para mim, o momento do jogo. Fejsa recupera uma bola na parte lateral do terreno, junto à nossa grande área, e o que se seguiu foi pura magia:

Fejsa -(1)- Garay -(2)- Siqueira -(3)- Fejsa -(4)- Siqueira -(5)- Lima -(6)- Fejsa -(7)- Garay -(8)- Luisão -(9)- Enzo -(10)- Sílvio -(11)- Markovic -(12)- Sílvio -(13)- Markovic -(14)- Lima = GOLO!

14 passes e o Benfica vai de uma área à outra, sempre em posse (há uma perda momentânea no 12º passe, de Markovic para Sílvio, mas que o português imediatamente recuperou) para Lima (que havia estado junto à nossa área no início da jogada) concluir com o seu segundo golo uma jogada fabulosa.

Antes do intervalo, Siqueira (bem melhor a atacar que a defender hoje) desperdiçou o terceiro em mais uma excelente jogada. A segunda parte trouxe mais do mesmo mas apenas um golo, de Enzo Pérez (furou a defensiva contrária e já em desequilíbrio teve a frieza e a classe para concretizar um bonito golo):

 
 
 
Fejsa foi um monstro (para mim o melhor em campo). Lima trabalhou como sempre e já vai em 17 golos em todas as competições (melhor marcador do plantel), é incrível o quanto o brasileiro corre e trabalha em prol da equipa, e muitas vezes não se dá mérito ao seu desempenho (principalmente quando não marca). Não tem a espectacularidade ou a técnica de Rodrigo, nem a eficiência do melhor Cardozo, mas corre para todo o lado, desgasta as defesas adversárias e abre muitos espaços para os colegas, e de vez em quando marca uns golitos ("só" vai em 17 depois dos 30 do ano - incompleto - passado).
 
Rodrigo e Gaitán, sobretudo o primeiro, também estiveram em bom nível, e Salvio (a acrescentar minutos) esteve quase a voltar aos golos (maldita trave). O Enzo, além do golo, também subiu uns furos em relação aos últimos jogos.
 
Despachada a Académica vêm aí dois bons jogos, difíceis e competitivos, e ambos no Norte: quarta-feira às 21h no Dragão (1ª mão da Taça de Portugal) e Domingo às 17h no Estádio Axa em Braga (25ª jornada do Campeonato).
 
Se Jesus não poupou ninguém hoje, acho que devia fazê-lo no Dragão. É apenas a primeira mão e acho que a nossa teórica segunda equipa chega e sobra para vencer lá. Bem sei que eles vão entrar que nem cães procurando vingar as vergonhas que têm sofrido no Campeonato, mas o Benfica é muito mais equipa. E se há coisa mais saborosa que vencer no Dragão...só vencer no Dragão com os "suplentes".
 
A eliminatória não ficará decidida 4ª feira, não há porque desgastar em demasia a equipa nesse jogo (menos decisivo que a segunda mão com o AZ, por exemplo), mas sim jogar de forma inteligente (importante não entrar nas quezílias e armadilhas que estarão presentes em campo) e utilizar a o desespero contrário a nosso favor.
 
Acredito que Jesus não jogue com a melhor equipa, mas a sua (e nossa) ambição de vencer a Taça, certamente que o levará a apostar numa equipa competitiva e forte (Cardozo e Salvio devem ser titulares) trocando no máximo 5 jogadores (mantém-se o quarteto defensivo e a dupla de meio-campo). Veremos que acontece até lá, mas confio que temos muitas chances de vencer.
 
Quanto a Braga e ao Campeonato falamos depois. Para já faltam 11 pontos.
 
 

segunda-feira, 17 de março de 2014

O vento é do Benfica. O melhor ataque e melhor defesa também.

Pela primeira vez no Campeonto 13/14, o Benfica fez 4 golos. Em todos os jogos (41) desta época, só por duas vezes conseguimos marcar tantos golos: 4-3 ao Sporting (9 de Novembro de 2013) e 5-0 ao Gil Vicente (4 de Janeiro de 2014), ambos os jogos na presente edição da Taça de Portugal.

Com os 4 golos de hoje, o Benfica torna-se - com 44 golos - no melhor ataque do Campeonato, e continua a ser a defesa menos batida (15 golos sofridos em 23 jornadas), apesar de não sofrer 2 golos num jogo desde 15 de Dezembro (2-3 no Estádio do Algarve, frente ao Olhanense). Aliás, o Benfica sofre 2 golos para o Campeonato em 4 ocasiões (Marítimo fora, Arouca em casa, Olhanense fora e Nacional fora) que representam mais de metade do total de golos sofridos. Se em casa isso só aconteceu uma vez, não deixa de ser quase inadmissível que tenha sido frente a um recém-promovido (Arouca) e que tenha custado um empate.

O que estes números transmitem, é que ver hoje um jogo do Benfica é um sossego, para o bem e para o mal. Positivamente porque mesmo sem grande espectacularidade o Benfica vence quase sempre, e de forma inapelável. O negativo, na minha opinião vem dessa mesma falta de espectáculo. Pode-se dizer (e bem) que o Benfica é hoje uma equipa de classe: madura, sólida e cínica. Para ser sincero tenho saudades de um Benfica mais ofensivo, mais demolidor e goleador, mas se o caminho para o(s) título(s) é este...que assim seja!

Tinha escrito que, na 2ª volta, tínhamos 3 saídas difíceis (Nacional, Braga e Porto), com os 2-4 desta noite na Choupana ficam a faltar duas, e frente a um Braga & Porto distantes (nesta altura da época) dos seus melhores dias, portanto não conto com nenhuma derrota até final no corrente Campeonato.

Com 7 pontos de avanço a 7 jogos do fim, o Benfica tem o Campeonato Nacional mais que controlado, por isso se calhar era interessante virar agulhas para as outras 3 Taças onde estamos envolvidos (Europa, Portugal e Liga). Bem sei que convém não ter mais olhos que barriga e que os fantasmas de Maio último só desaparecerão quando, efectivamente, levantarmos canecos, mas também não posso escamotear que temos equipa, plantel e calendário para alcançar grandes feitos.

Seguem-se dois jogos na Luz para cumprir calendário (com Tottenham e Académica) e depois dois jogos mais a sério e mais difíceis (no Dragão e no Estádio Axa), o primeiro para a 1ª mão da meia-final da Taça de Portugal e 3 dias depois para o Campeonato (25ª jornada). Talvez fosse interessante gerir a equipa nos 2 jogos que se seguem para podermos atacar os dois seguintes compromissos na máxima força.

Mas chega de futurologia. Faltam 14 pontos.


P.S. - a equipa de basquetebol do Benfica conquistou ontem a Taça de Portugal, dezoito (!!!) anos depois da última, em 96, era o Enorme Carlos Lisboa (treinador actual) jogador do Sport Lisboa e Benfica. Ao nosso dream team o meu obrigado!

domingo, 9 de março de 2014

Faltam 17 pontos

O Benfica recebeu o Estoril cerca de 10 meses depois do balde de água fria da época passada (1-1 a duas jornadas do fim) e desta feita estávamos avisados para a valia do adversário e sobretudo do seu técnico Marco Silva. O que o Estoril fez hoje na Luz (equipa personalizada, a pressionar alto, chegou a ter mais de 60% de posse de bola - !!! - e terminou com superioridade nesse domínio) sem nunca renunciar ao jogo ou colocando um autocarro na área merece o meu apreço (e deve envergonhar os Ruis Vitórias desta vida).

O Estoril não teve chances de golo (um livre que embateu no poste depois de um ressalto) é certo, não sei se fez algum remate na 1ª parte e se terá conseguido mais que um entre os 3 postes de Oblak, mas a forma como se dispôs em campo e procurou tratar a bola...mostra dedo de treinador. O Estoril desta época, na minha opinião, tem pior plantel que a época passada mas joga incomensuravelmente melhor, logo o mérito tem que ser mesmo do treinador. O Estoril do ano passado (recheado de bons valores individuais) jogava muito nas transições e na velocidade na frente, era dominado largos períodos de tempo mas tinha veneno no contra-ataque. O Estoril 13/14 é uma equipa madura e consistente que se apresentou na Luz olhos nos olhos e tentando a vitória. E o Benfica ?

Face a tantos elogios ao Estoril, que dizer do nosso Benfica que despachou os canarinhos com 2 golos sem resposta e umas 3 ocasiões flagrantes desperdiçadas ? Entrámos concentrados e resolvemos cedo a questão (bons golos de Luisão e Rodrigo), soubemos adaptar-nos à pouca posse de bola, não perdemos a cabeça e procurámos ser eficazes nos momentos certos.

O Benfica jogou quase sempre pela certa e os jogadores mais adiantados (Lima, Rodrigo, Gaitán e Markovic) correram muito e bem. A dupla Enzo & Fejsa parecia omnipresente e o colectivo bastante disponível e equilibrado. Este Benfica é cínico, não concede veleidades (Oblak outra vez a bocejar) e quando chega à frente...mata os jogos. Continua sem me entusiasmar por aí além esta tranquilidade competitiva que o nosso futebol demonstra, mas a verdade é que os resultados e os números (esmagadores) não mentem, e neste momento o Benfica leva várias séries positivas em curso: minutos sem sofrer golos; jogos consecutivos a marcar; jogos sem derrotas.

Se a isto acrescentarmos 7 e 9 pontos de avanço sobre segundo e terceiro classificados respectivamente (quando há 24 em disputa), a presença em Março nas 3 taças em disputa (Portugal, Liga e Europa) o saldo tem que ser tremendamente positivo. Ok, sem goleadas nem nota artística mas com um rigor e uma solidez digna de registo. Vamos a notas:

OBLAK - continua sem ser posto à prova. Com a eficiência de todo o sector benfiquista, Oblak vai sendo um mero espectador nos jogos que disputa, tendo sofrido apenas um golo (um frango que custou 2 pontos) desde que é o dono da baliza há vários jogos. Gosto da forma segura como vai às bolas aéreas (agarrando-as com autoridade) fora da pequena área mas tenho algumas reticências quanto ao seu jogo de pés. Até ver vive um estado de graça mas também tem feito o seu trabalho para esse status. 3

MAXI - não desequilibrou ofensivamente mas também não comprometeu na defesa. Levou um amarelo (escusado) pela sua eterna impetuosidade mas isso não o perturbou e terminou mais 90 minutos sem dores de cabeça e com a missão cumprida. 3

LUISÃO - alô Scolari ? Daqui fala o "Girafa". O Capitão do Benfica abriu o marcador com um belo salto de cabeça num canto e esteve quase irrepreensível durante toda a partida, apenas um erro perto do fim que resultaria num livre perigoso quando tentava corrigir a sua própria falha. O Luisão actual merecia estar no Mundial, seguríssimo a defender, rápido (isto pode parecer uma antítese, ou simples ilusão de óptica, mas não recordo um Luisão tão veloz e assertivo) nas dobras e insuperável pelo ar. É o grande líder do grupo e demonstra-o como sempre, dentro do campo, jogando como nunca. 4

GARAY - não se notou que vinha de lesão e vi-o na sua plenitude física, chegando mesmo a aventurar-se num contra-ataque em que ficou na cara do golo, a lembrar as cavalgadas dos bons tempos de Hélder Cristóvão ou mesmo David Luiz. Fazem falta mais centrais que tenham visão para desequilibrar partidos procurando a superioridade numérica no momento certo, não digo um Beckenbauer (o expoente máximo) mas alguém que possa não se limitar a defender. Dirão os puristas que a principal missão de um central é defender e têm toda a razão, para concretizar estão lá outros, mas em determinados jogos e em circunstâncias momentâneas, um central inteligente e com bom toque de bola pode ser decisivo. Não sei se Garay alguma vez será esse central, mas o que o argentino demonstra é que um seguro de vida para Oblak e o Benfica, perde poucos duelos e joga de forma a nunca se expor utilizando brilhantemente o seu posicionamento e antecipação. Regresso muito bom. 3

SIQUEIRA - está agora numa excelente forma física, rapidíssimo e de boa técnica, Siqueira não descura as tarefas defensivas mas é ofensivamente que se destaca. Tem toque de bola de tecnicista e não gosta de jogar feio (o que por vezes o deixa em situações embaraçosas), é um lateral esquerdo de eleição. 7M é muito dinheiro mas eu accionava a cláusula e contratava-o já. 3

FEJSA - o sérvio voltou a fazer um grande jogo, se não fosse o golo de Luisão teria-o eleito man of the match. Teve um erro cedo e foi amarelado (justamente) por isso, ainda assim mostrou uma força física e disponibilidade impressionantes. Nos duelos mais intensos raramente Fejsa perde uma bola, corre o meio campo todo e pressiona toda a gente sem nunca dar uma bola por perdida. E como já disse noutras vezes parece-me ter melhor critério no passe (e melhor técnica) que Javi Garcia. Mais discreto que um Enzo Pérez mas super eficiente, este sérvio "descoberto" na Grécia tem marcado pontos na equipa e no coração dos adeptos. Sem ninguém se aperceber, Fejsa é hoje o Pulmão do Benfica. E que pulmão! 4

ENZO - se Fejsa é o Pulmão, Enzo é o Coração. Em centros de terreno por vezes labirínticos, El Principito descobre sempre a saída, empolga as bancadas com as suas mudanças de velocidade e direcção e é ele quem gere a dicotomia defesa/ataque de toda a equipa. Hoje não cheirou o golo, mas nota-se, até nos adversários, um respeito enorme por uma das grandes figuras do Campeonato 13/14. 3

GAITÁN - o canhoto argentino tem sempre uma delicatessen no seu arsenal para nos oferecer e junta a isso um espírito de sacrifício notável, que o tornam num dos maiores destaques deste Benfica, cuja imagem assenta perfeitamente a Nico Gaitán: um maestro de fato-macaco. 3

MARKOVIC - o sérvio d'Ouro esteve apagado hoje, não se viram as acelerações brutais nem as diabólicas diagonais. Apesar do menor fulgor, Markets cumpriu tacticamente num jogo com pouco brilho. 2

RODRIGO - quando se lançou na direcção da baliza do Estoril ainda no seu meio-campo houve ali um déjà-vu fenomenal. A cadência, a potência na condução de bola deixando adversários a "milhas" no seu "solitário" percurso até ao golo deu-me um vislumbre do grande Ronaldo Fenômeno. Não terá a mesma ponta de velocidade do mito Ronaldo Nazário, mas há ali uma mudança de velocidade da engrenagem fenomenal que recorda os bons velhos tempos do brasileiro. Nesse lance acabou por falhar (remate de pé direito...) mas já havia feito um belo golo de primeira (de pé esquerdo). Pode ser um dos '9' que vão marcar o futebol europeu na próxima década, faltam-lhe "só" mais golos e mais eficiência. Correu bastante e vimo-lo pelo enésimo jogo a dobrar colegas defensivamente (em quantos e quantos lances de contra-ataques adversários já vimos Rodrigo a fazer sprints brutais e aparecer na nossa área ?) mostrando o seu fulgor físico actual. Depois de um início de época horroroso (até ao golo de Bruxelas ao Anderlecht) desfrutemos do melhor de Rodrigo Moreno. 4

LIMA - quando desperdiçou uma oportunidade de golo no minuto inicial veio-me à mente a sua desinspiração dez meses antes frente a este mesmo adversário (desperdiçando 3 golos cantados nos primeiros 20 minutos). Voltou a falhar um golo mais tarde e a concretizar um numa bela jogada colectiva do Benfica, mas foi-lhe anulado o festejo num offside muito mal marcado. Apesar disso Lima nunca vira a cara à luta e o seu esforço incansável merece o meu respeito. E o de JJ também, porque quando tira um dos dois avançados...normalmente Lima fica em campo. 3

SALVIO - vai acumulando minutos na procura da melhor forma, hoje teve menos destaque (apesar de ter contado mais minutos) e apesar de alguma desconexão com a equipa, parece-me estar fisicamente quase na plenitude. Talvez o vejamos a dar cartas em White Hart Lane, palpita-me... 2

RUBEN AMORIM - gosto da forma entusiasmada como entra sempre em campo, procurando emprestar alegria e soluções à equipa. Hoje teve poucos minutos e pouco destaque (recordo uma perda de bola infantil e perigosa) mas é claramente o 12º jogador do plantel. Penso que em determinados jogos (se calhar já 5ª feira) a sua titularidade pode ser importante (como já o foi este ano, em Atenas por exemplo). 2

DJURICIC - segundos em campo e não sei se terá tocado na bola... Custam-me estas substituições em período de descontos, e Djuricic ainda recentemente passou por isso, mas nem chegando a entrar, visto que o jogo terminou com o sérvio já na linha lateral preparado. Eu sei que o que interessa é o Benfica e os interesses da equipa, mas um pouco de pedagogia nestas situações não prejudicava... Não tenho grandes expectativas com o contributo de Filip Djuricic no que resta da época (oxalá me engane e pelo menos nas taças ele ainda dê um ar da sua graça) mas espero que a próxima seja a da sua afirmação. A Djurici ainda lhe falta o click. -

Man of the match: Luisão.


P.S. - Jesus picou (ou sentiu-se picado, não sei) Marco Silva no final dizendo que o Benfica podia ter goleado (e podia!) e que estava à espera deste Estoril. Não gostei. Não gostei porque o Estoril foi uma senhora equipa e merece a honra dos vencidos, e porque não vi Jesus ter afirmações ácidas destas quando defrontámos espécies de treinadores adversários que nada acrescentam ao futebol português e que se limitam a perder por poucos prejudicando fortemente o espectáculo. Não sei se foi o ego de JJ a responder ao maior destaque dos media ao jovem treinador estorilista ou apenas a defesa do poderio actual do Benfica, espero que tenha sido a segunda, mas acho que foi a primeira. Mister se é para mandar bocas escolha melhor os adversários: os nossos rivais!

P.S. 2 - houve um golo muito mal anulado ao Benfica (seria o 3-0 e o fim do jogo) mas antes houve também um offside mal tirado (este foi no limite) ao Estoril com o resultado em 2-0. No caso de Lima foi golo, no do Estoril, apesar da oportunidade ser prometedora, não se pode falar em certeza de golo.

domingo, 2 de março de 2014

Agridoce

Ponto 1 - o Benfica foi a única equipa que mereceu ganhar;

Ponto 2 - há um golo incrivelmente mal anulado ao Belenenses que lhes daria o empate a cerca de quinze minutos dos 90;


O Benfica continuou a senda de bons resultados (voltando a não sofrer golos, é já a defesa menos batida da prova: 13 golos sofridos em 21 jogos) batendo o Belenenses por 0-1 no Restelo. Mas jogou "pouquinho". O jogo vale pelos 3 pontos e pela (enésima) genialidade de Gaitán. No dia de aniversário de Lazar Markovic, o argentino Nico Gaitán teve uma arrancada brutal e culminou-a com um chapéu soberbo. Estavam decorridos 7 minutos de jogo.

O golo parece ter transmitido um excesso de confiança aos jogadores, é verdade que o Belenenses nunca esteve perto de marcar ou assustar sequer, mas o Benfica "pôs-se a jeito". O adversário deu o que tinha: suou, correu e nunca virou a cara à luta. Já o Benfica procurou resguardar-se e terá tentado proteger um resultado magro cedo demais.

Houve muita entrega de ambas as equipas, mas ao Benfica exigia-se muito mais. O segundo golo tardava em aparecer e os abnegados atletas do Belém fizeram das tripas coração para não perderem este jogo. Marcaram mesmo um golo, muito mal anulado por offside inexistente. O erro é tão gritante que o fiscal de linha dá a sensação de ter levantado a bandeira por reflexo, e muito depois do lance ocorrido.

Gosto que o Benfica vença e bata recordes (neste caso defensivos) mas vencer assim com um erro grosseiro que nos beneficia é horrível (nem consigo imaginar o que alguns portistas "a sério" sentirão com 30 anos de coisas assim...) e deixa-me um sabor amargo na consciência. Sim, o Belenenses não mereceu vencer, mas a displicência dos benfiquistas talvez merecesse o castigo do empate, empate que talvez também fosse um prémio justo à enorme luta dos homens do Restelo.

Na 1ª volta perdemos 2 pontos na Luz, frente a este Belenenses com o golo deles em offside, mas nem isso apaga a sensação estranha e agridoce dos 3 pontos de hoje: sim vencemos, não, não estou contente. Do jogo gostei de muito pouca coisa, além do génio de Gaitán pouco mais há a realçar. Gostei muito das declarações finais, sobretudo dos homens do Restelo. Tanto o treinador como o jogador do Belenenses não fizeram um choradinho com o lance e procuraram realçar o sacrifício e bom trabalho da sua equipa. Passar um jogo inteiro dominado pelo Benfica e depois vir "chorar" de uma semi-oportunidade de golo mal anulada parecer-me-ia exagerado. O Belenenses correu mas nunca esteve perto de incomodar o Benfica, portanto a vitória seria sempre uma miragem, mas pelo fair-play demonstrado no final a minha vénia.

Também gostei das declarações de Jesus nessa mesma flash-interview porque resumiu exactamente aquilo que eu pensei: a equipa não sofre golos e às vezes demonstra excesso de confiança que nos pode sair caro. Não custou hoje, mas... Só gostava que Jesus tivesse também dito claramente que o golo do adversário era legal, só lhe ficava bem. Apesar de ter "contra-atacado" com o offside da 1ª volta que nos roubou 2 pontos (e essa referência, no fundo, admite o erro que hoje nos beneficiou) não custava nada dizer que hoje havia sido beneficiado. Era uma lufada de ar fresco no Futeluso e uma chapada de luva branca em muita gente.

Faltam 22 pontos. (mas depois do que vi hoje....22 pontos são uma enormidade ainda)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Markovic é jogador de playstation

O Benfica - Guimarães de ontem começou com uma inenarrável "disposição táctica" dos vimaranenses, ou melhor, do seu patético treinador. Em cima da grande área, o Vitória exibia uma linha de 8 (!!!) jogadores dando uma imagem provinciana e amadora do que deve ser o futebol de alta competição. Ok, até Mourinho já recorreu a tácticas ultra-defensivas, mas nem no pior pesadelo Trapattoniano me lembro de ver um boeing do gabarito daquele que Rui Vitória colocou ontem no início da partida.

Com um único jogador sem grande preocupação defensiva (Mazou), os outros 10 encurralavam-se junto do seu GR. Logo ali fiquei com a ideia que não ia ser fácil penetrar aquela muralha, ou pelo menos sem que se alterasse algo da nossa estratégia habitual. Como furar então aquela defesa ? As diagonais mais perigosas da nossa equipa são invariavelmente as que resultam das desmarcações de Lazar Markovic, portanto parecia-me ser essa a solução com mais probabilidade de sucesso, porque no jogo "estático" e organizado era muito complicado abanar a estrutura híper conservadora com que o Vitória se apresentou na Luz.

Penso que JJ ter-se-á apercebido disso e terá provocado uma nuance táctica ao permitir que Markovic deambulasse por toda a frente de ataque ao invés de ficar amarrado a um dos flancos. E a verdade é que o Sérvio D'ouro estava endiabrado, nos primeiros 45 minutos rebentou com todos os que lhe apareceram pela frente e culminou o recital com um golo de playstation (L1 + 0 ??), um chapéu brutal num curtíssimo espaço de terreno. Um golo assim...só na playstation mesmo.

O Guimarães, apesar de nunca ter feito cócegas sequer, deixou de estar tão embaraçosamente recuado como nos primeiros minutos e procurou causar algum nervosismo no Benfica, que apareceu a espaços, mas mais pelo que os 3 pontos de ontem significariam do que por uma prestação conseguida. Porque na verdade, ocasiões de golo foram só do Benfica (escandalosa a de Lima, já depois de ter driblado o GR) e a vitória nunca perigou, mas foi uma exibição q.b. apenas.

Lima deve ter corrido uma enormidade mas não foi feliz, louve-se o seu espírito de sacrifício e capacidade de trabalho; Fejsa esteve muito bem, hoje por hoje não o trocava por Javi Garcia: corre tanto ou mais que o espanhol e é mais rápido; Luisão é o xerife da defesa, simboliza o espírito daquela equipa; Enzo esteve mais apagado que o costume, ainda assim a maioria dos lances de perigo começou nele; Rodrigo foi o melhor - depois de Markovic - no ataque, fez um bom jogo e demonstra boa forma (os gregos que se cuidem).

Markovic é um génio. Com a chegada de Salvio à melhor forma e consequente titularidade do lado direito do ataque, pergunto-me se o lugar de Lazar Markovic não deverá ser como segundo avançado, solto, à lá JVP, deambulando por toda a frente de ataque ?

Faltam 25 pontos.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Nos Paços do título

O Benfica amealhou ontem 3 preciosos pontos na luta pelo título 2013/14. Frente a uma aguerrida e organizada equipa do Paços de Ferreira, os benfiquistas vestiram o fato-macaco e demonstraram, outra vez, a solidez do grupo.

Se no derby vestimos o fato de gala e demos um show de bola, ontem essa receita não resultava, portanto mantivemos a coesão (outro jogo sem sofrer golos, nem ameaças de os sofrer...) e lutámos para vencer. Costumava dizer-se que o Benfica, para vencer, tinha que jogar muito, hoje em dia a equipa sabe "ler" as ocorrências e escolher o caminho para a vitória.

Essa alternância de chip entre a classe e/ou a raça prova que os jogadores estão mais determinados e concentrados, sabem que há vários caminhos para o mesmo objectivo: ser campeão! Defensivamente o Benfica está fortíssimo, não é o Oblak (que apenas tem um golo sofrido, um "frango" descomunal que nos custou 2 pontos) que se tem destacado, é todo o processo defensivo que não facilita e não permite qualquer chance aos adversários.

Maxi subiu de rendimento, Siqueira é o melhor lateral esquerdo depois de Coentrão (e ainda não está no máximo das suas capacidades, só agora tem tido alguma regularidade e descanso com as lesões), a dupla de centrais está ao nível das melhores duplas europeias e os médios (sobretudo Fejsa) parecem estar em todo o lado, pressionando permanentemente.

Mas apesar do rendimento defensivo de excelência, considero que o nosso ataque (a "menina dos olhos" da Era-Jesus) tem estado aquém das suas possibilidades. É verdade que Cardozo (o maior goleador do plantel) tem metade (ou menos) dos minutos da equipa e que Salvio (o melhor extremo da equipa, por trazer acutilância ofensiva e capacidade defensiva na mesma percentagem) não conta desde Agosto, mas Rodrigo & Lima têm falhado mais do que acertado, e atenção que o pecúlio de golos de ambos não é nada mau, mas devia ser substancialmente melhor.

Quem tem carregado a equipa este ano tem sido um Gaitán superlativo e um Enzo Pérez estratosférico. Se a equipa no seu todo (sobretudo a defesa) têm sido a maior arma desta época, os 2 argentinos revelam-se como os destaques individuais, acho bem que renovem com ambos e que construam o nosso futuro à volta deles.

No início desta época seriam unânimes os nomes dos 3 melhores elementos do plantel: Matic, Salvio e Cardozo. Pois bem, andamos a jogar sem os três e "só" temos 4 e 5 pontos de avanço ao 2º e 3º respectivamente, além de apurados para as duas meias-finais das Taças nacionais. Matic não joga mais por nós esta época, mas um Cardozo e Salvio "fresquinhos" podem ser chave para o que resta desta época.

Faltam 30 pontos.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O derby do vento ? Não, do vendaval !!

O Benfica recebeu e despachou o seu eterno rival com uma lição de bola que terá envergonhado o mais empedernido dos "lagartos". Recebo-mo-los em nossa casa, dissemos-lhes Olá! e depois recambiamo-los para casa com um valente pontapé no traseiro e com a certeza que o Benfica é areia a mais para a camioneta dos Viscondes.

Antes do jogo havia uma facção que parecia viver numa utopia: os sportinguistas e uma série de "jornalistas". É que a diferença entre aquilo que eles acham que são e aquilo que na realidade apresentam ainda incorpora uns quantos "fusos horários"... Levaram um reality-check à bruta. É que podíamos ter vencido por muitos e não sermos tão esmagadores no domínio do jogo, mas o que se assistiu na Luz foi uma impotência leonina a toda a linha (presidente, treinador e equipa) e um apetite voraz das águias.

O Benfica entrou cheio de fome no jogo, e psicologicamente começou a ganhar o jogo aí: os nossos concentrados e disponíveis para todo e cada lance; os outros a tremer perante a intensidade alucinante do adversário. À medida que a nossa confiança crescia, a "tremideira" deles aumentava, basta entrar o primeiro... sentia-se. E a verdade é que o jogo acabou logo no golo de Gaitán. «Pronto, agora já não conseguimos levar um pontinho» - terão pensado os jogadores do Sporting naquele momento.

O Benfica passou por cima do Sporting sem dó nem piedade (bem, houve alguma misericórdia sobretudo de Rodrigo...) ganhou 90% dos duelos individuais (OLÈ), correu muito mais (OLÈ), teve nota artística (OLÈ) e ainda se deu ao luxo de permitir zero cantos ao adversário e deixá-lo com cerca de 30% de posse de bola (OLÈ).

O Sporting não se viu, não se ouviu e deu menos trabalho que a agora célebre lã de rocha. Já o Benfica mostrou que jogar com 2 médios centro e 2 avançados não é para quem quer... Tacticamente Jesus embaraçou e envergonhou Jardim, tal foi o banho de bola em toda a linha, aliás, o melhor de Leonardo Jardim no derby foram mesmo as palavras finais (as dele e as do Presidente, que pela primeira vez soou a Presidente e não a líder de claque).

No nosso Benfica houve várias exibições tremendas: Luisão (o gajo mais fundamental da defesa, cortou um número de bolas sem fim, é o patrão deste grupo); Maxi (melhor jogo da época, mantém a raça de sempre - e apesar de achar que ainda está um pouco lento - mas começa a dosear melhor as suas investidas; grande centro para o 1º golo); Fejsa (um poço de força no meio-campo, menos forte que um Javi Garcia mas mais disponível, mostrou que nunca vira a cara à luta, parece talhado para jogos importantes); Gaitán (começa a ser tradição Gaitán fazer gato sapato do Sporting, é um génio cada vez mais trabalhador, sozinho pode decidir jogos, esperemos que este ano decida campeonatos).

E claro, há um jogador que merece um parágrafo só para ele: Enzo El Principito Pérez. Com a saída de Matic, Enzo é hoje o melhor jogador do Benfica (Olá Argentina!) e fez um derby fa-bu-lo-so. O argentino rebentou com o processo defensivo do Sporting sozinho. Primeiro pressiona altíssimo e não permite que se saia a jogar com facilidade com ele por perto, e depois, quando tem que ser ele a iniciar o processo ofensivo do Benfica...demonstra recursos infindáveis. Vejamos, não raras vezes tentou-se "apertar" com Enzo quando recebia a bola entre linhas, e muitas dessas vezes o benfiquista nem tinha linha de passe visível e mais que um adversário em cima, pois bem, ele nunca se atrapalha, finta, gira, mantém a posse e quando não há mesmo alternativa....arranca e ninguém o agarra. As acelerações de Enzo Pérez no meio campo ofensivo esfrangalharam completamente o Sporting, naquela noite Enzo pareceu imparável. No dia em que a esposa fora operada fez o segundo golo (e que golo!) e emocionou-se verdadeiramente não contendo as lágrimas perante um Estádio da Luz em êxtase. Perdemos o Matic...mas ainda temos o Enzo!!

Mais que o resultado, a exibição mandona e autoritária do Benfica foi um depressivo tremendo para os adversários Porto e sobretudo Sporting (que terá pensado: contra estes não dá, vamos tentar bater-nos com o Porto) que observaram uma equipa fortíssima fisicamente e que melhora a nota artística a cada jogo, só falta ser mais concretizadora (bem vindos Salvio & Cardozo).

Portanto o vendaval da Luz ficará para a História como o dia em que atropelámos o Sporting com uma classe e unanimidade poucas vezes vista (como aliás fizeramos ao Porto há cerca de um mês) em 180 minutos despachámos os dois rivais com 4 golos sem resposta e zero oportunidades concedidas, o que é obra para uma equipa que passou meio campeonato a defender mal e a sofrer muitos golos. O grande mérito é dos jogadores de de Jorge Jesus, afastaram finalmente os traumas de Maio passado e deram a volta por cima: meias-finais das Taças nacionais e líder isolado do Campeonato, sendo a única equipa que depende apenas e só de si para se sagrar Campeã.

Faltam 33 pontos.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Época 2013/2014: opinião sobre a primeira metade

A época 13/14 começa ainda sobre o espectro do pesadelo vivido nos últimos jogos da temporada anterior, os adeptos estão descrentes e a equipa não galvaniza. Nas pré-épocas do Benfica é comum ver-se uma euforia generalizada com as expectativas de toda a gente em alta. Em Julho/Agosto o céu é o limite. Nesta pré-época não se viu nada disso, observámos uma equipa tristonha e um pouco à deriva.

Viveu-se um tempo estranho, o Benfica não tinha uma voz de comando nem um caminho bem definido. Aquele que vinha sendo o maior "gestor desportivo" do Benfica nos últimos anos - Jorge Jesus (para o bem e para o mal) - parecia também anestesiado e a derrota na 1ª jornada do Campeonato foi quase esperada (6 meses depois é ainda a única em provas nacionais).

Depois de 3 pontos "jogados fora", soou o alarme (tarde!) e Luís Filipe Vieira deu uma boa entrevista esclarecendo muita coisa e acalmando as hostes. O Benfica continuou a jogar pouco (só perto do final do ano civil arrancaria as primeiras grandes exibições, em Atenas e no derby da Taça de Portugal) mas foi-se mantendo perto da liderança da Liga.

Vários jogadores-chave apresentavam-se muito longe do exibido na época passada (Garay, Matic e Lima por exemplo) e a equipa tardava em transmitir confiança e esperança aos adeptos (o número de espectadores na Luz era a prova disso - apesar de liderarmos assistências...). Em contraste com o fraco desempenho no jogo jogado, havia altíssimas expectativas por parte da administração que sonhava com a final da Champions no Estádio da Luz e que, pela voz do Presidente, considerava este «o melhor plantel dos últimos 30 anos». Alguma coisa não encaixava...

Eu considerei este o melhor plantel dos últimos 20, com soluções para todo o género e feitio e com uma série de jogadores fabulosos. Ora sendo este o melhor plantel da era Jesus, porque exibíamos então o pior futebol (de longe) dessa mesma Era ?? Jesus parecia ser o denominador comum e o "culpado" mais óbvio.

Mas há outros aspectos a considerar, desde logo o "melhor plantel". O jogador em melhor forma durante toda a pré-época chama-se Toto Salvio. O único extremo que é capaz de ir à linha de fundo e ao mesmo tempo apoiar defensivamente. O nosso extremo mais desequilibrador está lesionado há 5 meses (desde a 3ª jornada em Alvalade) e não há ninguém com as suas características...

Depois há ainda o melhor marcador estrangeiro da História do Sport Lisboa e Benfica: Oscar Cardozo. Depois de um defeso em que encheu capas e capas de jornais e em que a sua saída esteve iminente, o paraguaio acabaria por permanecer entre nós (mas sem pré-época feita). Em boa hora Vieira não cedeu à pressão de "vender de qualquer maneira" e, não existindo nenhuma proposta que correspondesse às expectativas do Benfica, Cardozo estava de volta ao grupo.

Portanto, este grupo estava órfão não só do melhor extremo mas também do melhor marcador. Assim talvez se perceba melhor a escassez de golos mas não serve de desculpa para o fraco rendimento defensivo.

Cardozo ainda demorou a ficar em forma e a começar a facturar, mas quando o Tacuara encontrou o caminho das balizas contrárias, os golos e boas exibições sucediam-se. Foi neste altura, para mim o melhor momento de forma de sempre de Oscar Cardozo, que o paraguaio se lesionou (4-3 frente ao Sporting na Taça de Portugal) e continuou de fora até hoje...(voltará frente a uma das suas vítimas preferidas na 18ª jornada ??)

Com a subida de forma de Matic & Enzo Pérez o rendimento da equipa melhorou e defensivamente tivemos uma melhor estabilidade. Mas a verdade (e contrariamente a outras épocas) é que continuávamos sem ter um 11 base e íamos alternando a nossa estratégia e os nomes que a compunham. Houve a questão das laterais (Cortez é um erro de casting), Siqueira e Sílvio tiveram lesões arreliadoras logo de início, e Maxi teimava em estar longe do fulgor exibido noutras alturas. Restava André Almeida, que tem - misteriosamente para mim - jogado pouco esta época.

Na frente tivemos um Lima batalhador mas com uma eficácia muito pequena e a milhas da época passada; e Rodrigo fez um primeiro terço de época desastrado, a roçar a vulgaridade. No último mês e pouco Rodrigo tem feito inúmeros golos e boas exibições, parecendo retomar a forma que o notabilizou entre nós. E talvez por isso se volte a falar na sua venda....

Outra incógnita para mim é o desaparecimento do outro André (Gomes) da equipa e até das convocatórias. Um jovem jogador que na época anterior foi titular em Nou Camp e Alvalade, nunca se intimidando e arrancando belíssimas exibições, está esta época arredado da equipa principal. Apenas na equipa B se vai mostrando, invariavelmente com grandes exibições e golos...

Tal como Rodrigo, também se fala na venda de André Gomes (por 15M), o que me parece absurdo, apesar de quinze milhões serem um bom negócio. Mas trata-se dos poucos portugueses de nível do plantel e com potencial para se afirmar na equipa A e mesmo na Selecção Nacional.

Quando Javi Garcia foi vendido, o espanhol disse que dentro de pouco tempo os beniquistas se esqueceriam dele porque ficava Nemanja Matic. Pois bem, a profecia do espanhol cumpriu-se e no momento da saída, Matic disse algo parecido acerca de André Gomes «vai ser o melhor médio do Campeonato».Depois da saída do melhor jogador do plantel (Matic) parece-me ridículo que se equacione a saída de André Gomes, mais do que a sua pouca utilização na equipa principal.

E sem Matic, o Benfica vê-se neste momento privado, provavelmente, das suas 3 pedras mais influentes: Matic, Cardozo e Salvio. Coisa pouca...  Mas falemos de Matic e da sua venda. É ponto assente que vendemos o melhor jogador do plantel e é claro também que 25M (ainda que a pronto pagamento) é um valor muito aquém do nível do sérvio. A sua cláusula era de 50M, valor que Vieira exigiu no Verão (e houve ofertas bem acima de 30M...), portanto o que levou o Benfica a abdicar, no máximo de 25M e no mínimo de 10M ??

Diz-se que a saída da Champions League ditou esse destino, mas que eu saiba, o apuramento para os oitavos de final rendia menos de 10M (apuramento + bilheteira). Para obtermos 25M na Champions...só vencendo a competição. Parece-me claro que a tesouraria precisava de mais que os valores de passagem aos oitavos de final da Champions...

Houve um grande esforço financeiro no defeso passado para não se vender ninguém importante, tudo bem, mas a gestão da venda de Matic parece-me péssima. Desportiva e financeiramente! Muito mal têm que estar os cofres da Luz para ter sido tomada esta decisão. Matic vale muito mais que 25M, e no final da época o sucesso desportivo (mais provável com Matic em campo) poderia catapultar o sérvio para valores bem mais condizentes com o seu real valor. Portanto o Benfica hipoteca algum do seu sucesso desportivo por 25M...viva o sucesso económico do Clube.

Eu sei que um clube como o Benfica não pode viver acima das suas posses, e que, supostamente, Matic teria feito alguma pressão para sair já, mas será que não há ali um "gestor" desportivo e/ou financeiro que saiba ler esta situação e procurar a melhor saída para o Benfica ?? O Matic, que não pode jogar na Europa por outra equipa, seria tão difícil de convencer durante "apenas" mais 6 meses ?? Conhecendo as pessoas que estão agora no Chelsea (toda a entourage Mendes & Mourinho) não me custa a acreditar que tenha havido pressão "inglesa" para Matic sair já...mas é assim tão imprescindível para eles ?? Mourinho já deitou a toalha ao chão na Champions (visto não poder utilizar o sérvio) ??

Tudo isto não passam de especulações, mas a verdade é que o Benfica não tomou (ou não soube tomar) uma medida de força nesta negociação, estaremos mesmo fragilizados financeiramente ? É que continua-se a falar de outras vendas (Garay, Rodrigo, André Gomes) e de muitos milhões...afinal de quantos milhões necessitaríamos se tivéssemos permanecido na Champions ? Enfim..

Sobra para o mesmo de sempre...o treinador Jorge Jesus (o ás de trunfo da "gestão-SLB" ou sr 200M como lhe chamam os tecnocratas do Clube) que pela enésima vez não se queixou e disse já que vai encontrar soluções dentro do plantel (A e B). Um treinador assim é o sonho de qualquer gestor económico: trabalha "pedras" e transforma-as em diamantes.

Na verdade, o trabalho de JJ é esse, encontrar soluções para as vitórias, e se não podemos caçar com cão... Resta-nos esperar que mestre da táctica saiba capitalizar a muita matéria-prima do CFC e "espremer" o máximo dos craques que por cá continuam. Porque até aqui, e com tantas contrariedades o Benfica lidera isolado o Campeonato, é a única equipa apurada para as meias-finais da Taça da Liga e está nos quartos de final da Taça de Portugal (visita o Penafiel).

Na Europa foi eliminado da Champions com 10 pontos (pontuação suficiente em mais de 80% dos casos para seguir em frente) e está nos 1/16 da Liga Europa (frente ao PAOK). Portanto e face a tudo o que já se passou esta época (sobretudo o primeiro terço) a equipa parece estabilizar e crescer nesta fase crítica, veremos se há estofo de Campeão entre os nossos, porque de sacrifício e solidariedade já são eles vencedores. Termino com um excerto do Tertúlia Benfiquista, que me parece resumir na perfeição o que foi esta primeira metade da época (as palavras são do Gonçalo, a.k.a. D'Arcy):

«Debaixo de constantes críticas da imprensa e dos seus próprios adeptos, a ter que superar a carga psicológica negativa do terrível final da época passada, com diversos jogadores fulcrais indisponíveis por lesão, com o treinador suspenso durante um mês, o Benfica foi a melhor equipa da primeira volta do campeonato, mesmo que outros tenham sido os campeões das loas. Estamos em primeiro com todo o mérito, e apesar das inúmeras contrariedades que nos têm afligido»


P.S. - na 1ª volta jogámos fora no Marítimo (D), Guimarães (V), Estoril (V) e Sporting (E), 4 deslocações que considero difíceis, e ainda vencemos na Académica e Rio Ave, onde nos últimos anos temos tropeçado. Na segunda volta temos Braga, Nacional e Porto como as saídas mais complicadas, portanto acho que devíamos fazer mais pontos nestes últimos 15 jogos do que nos primeiros 15. Não podemos é perder 4 pontos (em casa!!) com novos primodivisionários como Arouca e Belenenses...

domingo, 12 de janeiro de 2014

Foi à Eusébio !!

Dizia o King «enquanto eu joguei, o Porto nem cheirou», referindo-se às conquistas de Campeonatos (inexistentes) por parte dos nossos rivais. Hoje foi mesmo assim, com 11 Eusébios em campo, o Porto nem cheirou.

Foi um jogo de grande entrega e raça dos nossos rapazes, demonstrando a garra de que é feito o Benfica. E essa foi a melhor resposta ao muito que se disse e escreveu (os ridículos pseudo-intelectuais que tentaram minorizar uma figura mítica, espantados pelo poder e impacto de um miúdo pobre da Mafalala; e também aos pobres de espírito que através de blogues afectos ao Porto gozaram, faltaram ao respeito e - como sempre fazem - insultaram os benfiquistas e tudo o que seja vermelho).

Aos primeiros, sobretudo os "jornalistas desportivos", os que diziam coisas como uma derrota do Benfica será muito difícil de superar ; ficar a 3 pontos de Porto e Sporting é um duro golpe ; Jesus tem medo ; Jesus vai mudar ; e outras balelas do futebolês, aqui fica o voto de resto de um bom Domingo e a farmácia de serviço já recuperou o stock de Rennie.

Aos outros, os idiotas úteis, os que se dizem adeptos de um clube e passam a semana a "postar" verborreia sobre o Sport Lisboa e Benfica (porque de facto eles só vêem encarnado...), a esses deixou-lhes uma citação de Maradona...

Custou-me ver e ler as barbaridades que se disseram, hoje atingiu-se mesmo a pouca vergonha de se fazer uma capa de jornal dizendo que Matic se recusara a seguir para estágio. Perdeu-se toda a vergonha e tentou-se tudo. Enganaram-se no alvo. Matic é enorme, um senhor e respondeu como sempre: em grande! dentro do campo!

A outra teoria que tentam passar por verdade (e há beniquistas a sustentarem-na) é que JJ tem medo do Porto, como antes "tinha um buraco no meio campo só com 2 médios" e ainda "não se pode jogar com 2 avançados". Pois bem, JJ respondeu no campo: com 2 médios (Enzo & Matic) e 2 avançados (Lima & Rodrigo). Resultado ? Outra dupla, de golos! Benfica - 2, Porto - 0

Jesus colocou a melhor equipa neste momento (Salvio e Cardozo fariam parte do 11 se estivessem em condições) e jogou como joga quase sempre (só muito pontualmente - por motivos de forma ou tácticos dentro dos 90 minutos ele altera o modelo de jogo). Eu, pessoalmente gosto que as pessoas tenham convicção nas suas ideias, se acreditam num modelo devem trabalhá-lo para o potenciar e não abandonar ideias ao sabor do vento. O Benica deve jogar sempre com 2 avançados ? Na esmagadora maioria dos jogos defendo que sim, aliás, se se trabalham automatismos numa táctica (e é nessa que este Benfica está formatado) não faz sentido grandes alterações em competição e com pouca convicção.

Mas não se devia mudar quando os resultados são escassos ? Sim e Não. Se os resultados não aparecem, SIM é preciso modificar algo; e NÃO, não é necessário que seja forçosamente o desenho táctico. Dentro duma táctica há vários modelos e várias sub-tácticas dentro da equipa, a forma como as várias "duplas" (a de centrais, a dos médios centro, a dos avançados, a do lateral com o extremo) se encaixam e solucionam dificuldades deve ter tanta ou mais incidência como a disposição no papel. O Benfica de 09/10 defendia com 3 (Luisão, David Luiz e Javi Garcia) e sofria pouquíssimos golos.

Mas eu nem me chateio muito com golos sofridos, preocupa-me mais poucos golos marcados, porque nós fomos, somos e seremos uma equipa de ataque, à Eusébio, à Benfica. E uma equipa que ataque tanto, ficará forçosamente mais exposta ao adversário. Não deveria então haver uma situação de compromisso, de meio termo, onde, mesmo marcando menos não passássemos por tanta exposição defensiva e ficássemos menos expostos ? A racionalidade dirá SIM, nenhuma equipa do Mundo ataca os 90 minutos sem sofrer qualquer sobressalto (nem a equipa nº1 actualmente, o Bayern), portanto seria importante dosear os esforços e as "basculações" da equipa, tornando-a menos vertiginosa e mais compacta. Pessoalmente prefiro ganhar 5-4 que 1-0, mas admito que no futebol de hoje em dia não se fazem tantos golos a todas as equipas, logo, o recato também é importante (por muito que me custe ver os nossos a "fazer posse" ou a "gerir"...).

O ataque ganha jogos e a defesa campeonatos. Tenho que concordar com a frase e ela é a maior realidade dos nossos tempos, porque antigamente era Eusébio que ganhava campeonatos... No fundo, eu acho é que jogando ao ataque estaremos sempre mais perto de poder vencer, de sermos felizes, e "jogar à defesa" é coisa do Porto. Cresci assim, a ver o Porto plantado cá atrás, cheio de defesas e trincos (todos caceteiros da pior espécie) e o Benfica a tentar com arte e engenho (o jogo bonito) derrubar aquelas muralhas de feios, porcos e maus. E enquanto vir futebol, esse sonho de que o ataque, o artista vencerá a retranca, a expectativa e o jogo desleal e feio, viverá em mim. Penso em Valdano (ou Guardiola) e Mourinho, o português já ganhou tudo em todo o lado, mas muitas vezes de forma pouca empolgante. O argentino Valdano defende a estética do futebol, defende que vencer não chega, a forma como se vence é muito mais importante para ele. Talvez os resultadistas levem campeonatos para casa, nada mais, mas os românticos, os líricos ficam eternamente na memória colectiva.

A laranja mecânica de 74 não venceu o Mundial, mas é dela que se fala e não daquela Alemanha campeã mundial. Vou sempre preferir um Messi a um Cannavaro. Um Zidane a um Materazzi. O futebol não é científico nem lógico mas nada me dá mais prazer que vencer bem, com golos e a jogar bom futebol.

O Benfica venceu bem, correu muito (Lima poderá ter passado despercebido, mas correu quilómetros) e teve uma garra incrível (à Benfica), o resto, a arte e engenho foram os mesmos de sempre, o que foi diferente hoje foram os litros de suor (e de lágrimas) que os nossos jogadores mostraram.

A garra característica de Maxi Pereira esteve presente em todos (talvez o uruguaio até se tenha destacado menos nesse aspecto hoje - vi-o lento, não está em forma o nosso Maxi, e eu que sempre quis 11 Maxi's pergunto-me hoje se Sílvio ou André Almeida não serão melhores titulares...mas o jogo de hoje precisava do nervo do Maxi, o mais raçudo do plantel) e houve uma grande entreajuda da equipa. Fiquei com um amargo de boca por JJ não ter acelerado a equipa na parte final - podíamos ter goleado uma equipa adversária desnorteada - e ter preferido segurar o resultado. Sinal dos tempos...mas continuo com saudades do Jorge Jesus arrojado e de quando a nossa equipa não tirava o pé do acelerador.

Jesus está diferente (passaram-se mais de 9 messes desde a última vez que fizemos 4 golos - 6-1 ao Rio Ave até aos 5-0 ao Gil Vicente, única goleada desta época, já em Janeiro!), a época passada ter-lhe-á tirado alguma ingenuidade e voracidade, o Benfica hoje é uma equipa cautelosa. Esperemos que isso se reflicta em títulos no final.

O Benfica ganhou hoje muito por Eusébio (pelo ambiente que ele deixou nos nossos, público e jogadores) porque a arbitragem estava instruída para que o jogo fosse marcante mas com um resultado ao contrário. Mas se a época passada teve algo sobrenatural no seu final, os deuses hoje não nos deixaram cair, e depois da mão de Mangala (lembrou-me uma do Cebola Rodriguez, nessa mesma área e que também terminou com vitória nossa) veio a mão divina esbofetear Artur Soares Dias (que inclusivé faz o gesto com o braço direito para apitar, o instinto natural, mas que depois reparou que a camisola era azul e portanto "esqueceu-se" de soprar...) através da cabeçada fulminante de Garay.

A estratégia estava bem estudada, a única (!!!) oportunidade de golo do Porto surge num offside gritante de Jackson e até ao 2-0 o árbitro tentou....depois disso "perdeu-se". Como viu que já não iria haver fruta hoje, decidiu apitar tudo e bem (falhou um penalty sobre Quaresma e uma inenarrável bola ao solo). De resto expulsou bem a simulação de Danilo e apita a falta de Matic (levou amarelo) sobre Quaresma bem antes de a bola chegar a Jackson (que no instante da falta dura nem se sabia onde iria cair a bola). Mas garanto-vos que se o resultado fosse apenas 1-0 aquelas quedas portistas na nossa área tinham dado um ou dois penaltys para eles (vide épico Braga-Guimarães da época 09/10). Como o Porto já não chegava lá tentou não prejudicar muito a nota do observador e apitou sem estratégia (e sim, este Artur portista é filho de outro portista, árbitro e de mesmo apelido, a família Soares Dias há muito vem manchando a verdade desportiva deste país com desastrosas arbitragens).

No jogo jogado gostei do passe sublime (foi mais que perfeito) de Markovic no 1º golo, é um golaço de Rodrigo mas fiquei de tal forma impressionado com a assistência que o Mundo parecia ter parado naquele segundo e que o consequente golo foi apenas um resquício bonito da genialidade do sérvio. O espaço era curto, a velocidade dos jogadores em movimento era muita e Markovic coloca a bola de forma incrível (na trajectória, na velocidade imprimida, no sítio perfeito para ser rematada de primeira e em corrida) e com uma souplesse desarmante. Valeu Marko! (gostei quando te "apresentaste" ao Quaresma).

Rodrigo perderia um golo isolado na segunda parte (ok, foi com o pé direito, mas um toque mais subtil, menos forte teria resultado no 3-0) e Enzo idem. Matic (será que era ele ? não se tinha recusado a ir para estágio ?) foi o Matic de sempre: um monstro do futebol! Arrisco-me a dizer que com Matic o título não escapa, sem ele...também não (mas é muito, muito mais difícil), preferia vender Rodrigo e Gaitán (dois excelentes jogadores que gosto muito) a perder o sérvio, mas segundo as últimas notícias Nemanja Matic vai mesmo sair este mês...  Eu sei que o Benfica precisa de dinheiro, mas será que o título e o desempenho desportivo desta época não ficará em risco sem Matic em Janeiro ? Ainda por cima, a confirmarem-se os valores de 25M, muito abaixo do seu valor... Não seria mais inteligente vendê-lo no Verão com outra valorização de mercado ?

Quando Javi saiu disse: «vendam-nos todos menos o Witsel!». Poucos dias depois saiu o belga e achei que ia ser muito complicado. Apareceu Matic e um mês depois já nem pensava em Javi nem em Witsel. A vida continua é verdade, e o Benfica superior a todos, mas perder Matic vai doer muito...

E chegados ao fim da primeira volta, a tal equipa que para os experts não joga nada e é fraca perante os colossos Sporting e Porto, lidera isolada (!!!) a tabela classificativa com mais 2 pontos que os rivais de Lisboa e 3 sobre os do Porto. Agora imaginem quando começarmos a jogar à bola...

domingo, 1 de dezembro de 2013

Os Arcos do Triunfo

O jogo mais difícil da nossa Quaresma (e não me refiro ao facto de Miguel Quaresma acompanhar Raul José no banco, mas sim à ausência do nosso Jesus) era esta deslocação ao Estádio dos Arcos, senão veja-se que nos últimos 5 anos contamos dois empates e três vitórias (sempre pela margem mínima - 1-0 ; 1-0; 2-1) na casa do Rio Ave.

Acresce a estes dados o vírus Champions, que transforma o jogo seguinte à mais difícil prova do Mundo de Clubes numa incógnita face ao desgaste acumulado. O Rio Ave, apesar do mau momento em casa, é uma boa equipa, com bons jogadores e bem orientada.

O jogo foi morno na primeira parte com destaque apenas para o nosso golo, Rodrigo desmarca Lima na esquerda, este cruza tenso para a área, onde, após falha do GR adversário, o mesmo Rodrigo que havia iniciado a jogada conclui sem dificuldade. 0-1 para nós e Rodrigo, outra vez a marcar.

No segundo tempo sofremos o empate por falta de concentração; cruzamento largo, André Almeida (hoje defesa esquerdo, mas muito competente) tentou fechar ao centro e não conseguiu desviar a bola com eficácia, o seu cabeceamento falhado cai nos pés de Ukra (sorte deste) que bateu Artur (saiu rápido da baliza mas não evitou o golo).

Depois do empate o Benfica voltou a "carregar" e viveu os seus melhores momentos no jogo. O empate seria quebrado por um golaço de Lima, que num livre directo rematou num arco perfeito e com a bola a entrar ao ângulo. Uma assistência e um golo para Lima e outro golo de Rodrigo, dois jogadores que viviam uma época apagada face ao brilho de Cardozo, e que nos deram a vitória neste difícil encontro.

Depois do 1-2 o Benfica continuou a jogar bem e chegaria ao terceiro. Desta vez inverteram-se os papéis em relação ao 1º golo: Rodrigo assistiu Lima (que minutos antes havia falhado um golo feito) e este, de primeira, fez o resultado final. A liderança do Campeonato já não escapava.

Rodrigo & Lima foram os artífices desta vitória (ambos com uma assistência), com 2 golaços de Lima e um "fácil" de Rodrigo, mas no geral gostei da atitude de toda a equipa. Fejsa parece-me ser um cabeça de área muito interessante, numa função similar a de Javi Garcia, pode ainda não ter a contundência do espanhol, mas parece-me melhor no primeiro passe de construção.

Enzo Pérez nunca joga mal, e, hoje por hoje, é o grande motor da equipa. André Almeida está um senhor jogador e é opção válida para qualquer um dos corredores (será um crime se não fizer parte dos eleitos para o Mundial do ano que vem).

Segue-se o Arouca em casa já na sexta-feira (gostei que Matic tivesse levado amarelo no final do jogo, cumprindo assim o castigo num jogo mais "simples" como o próximo e repousando para a última jornada da Champions, além de estar disponível, e não condicionado, para jogos mais importantes do Campeonato) e na terça seguinte, o PSG na Luz, para vencer e perceber se o nosso trajecto europeu em 2014 continuará na LC ou na LE.

P.S. - grande jogo do Benfica B (3-1 ao Porto B) que está recheado de grandes atletas, o nosso futuro passa por ali.

P.P.S. - salientar o minuto de silêncio de Benfica e Rio Ave face à morte do pai de Fábio Coentrão, a ele e à família as minhas sentidas condolências.

sábado, 23 de novembro de 2013

Nemanja Matic 1-0 Braga

Regresso do Benfica ao Campeonato depois dos 2 únicos bons jogos da época, e após pausa das selecções (que por norma nunca são benéficas aos clubes vencedores). Se isso não era handicap suficiente, tivemos um Benfica sem 2 pedras cruciais: Cardozo (lesionado) e Jesus (castigado 30 dias). O prenúncio não era bom, mas havia a hipótese do crescimento da equipa continuar neste jogo, difícil, frente a um Braga que "cresce" nos jogos connosco.

O que se viu foi uma equipa com pouca motivação (que se tinha visto em Atenas e no derby para Taça de Portugal) e a jogar pouco, em esforço e com muita pouca inspiração. O Braga acumula várias derrotas seguidas no Campeonato e ocupa um lugar a meio da tabela mas é um adversário de valor e complicado de bater. Os nossos jogadores não pareceram entender isso e disposeram-se como se do outro lado estivesse a Naval (mais cedo ou mais tarde já marcamos...). Sem Jesus no banco falta a voz que dá intensidade e não permite relaxamento aos jogadores e a sua falta notou-se...

Entrámos lentos e lentinhos chegámos ao final dos primeiros 45 minutos. Da intensidade que asfixiou Sporting e Olympiakos nem sombra. Uma única chance de golo, num ressalto depois de um canto, com Matic a rematar ao lado em posição privilegiada perto da pequena área. Entretanto o Braga já tinha enviado uma bola à trave (Artur defendeu) por Éder (grande jogador, ponta de lança robusto, mas móvel e bom tecnicamente, tanto rende sozinho na frente como acompanhado) e tinha demonstrado saber tapar todos os caminhos da sua baliza sem grande esforço. Jesualdo teve a bênção de Cardozo não estar em campo, mas estudou bem a lição e não se vislumbrava forma de derrubar os bracarenses.

Lima batalha muito e corre kms, mas não se fixa na zona 9 (do PL), era comum vê-lo descair nas alas e não termos um único jogador na área. A única sensação de perigo vinha das diagonais de Markovic que apareceu algumas vezes isolado na cara do GR, mas ou o passe era mau, ou falhava a recepção, ou estava em fora de jogo. A única maneira de penetrar a organização defensiva eram mesmo as desmarcações do prodígio sérvio, mas a qualidade do nosso passe, no jogo de hoje, foi abaixo da média; quando comparada com o último jogo (VS Sporting) então ficou muito abaixo mesmo.

Com facilidade em anular o Benfica, o Braga voltou a enviar uma bola à trave na 2ª parte e mostrou que podia mesmo marcar e deixar-nos em muito maus lençóis, pois a nossa parte ofensiva chegava a ser caricata. Djuricic, Rodrigo e Lima mostraram que os números que apresentam não são fruto do acaso ou de qualquer "birra técnica". Djuricic teve UM lance de registo - já na 2ª parte - quando fez um passe para Markovic atirar por cima da barra, já dentro da área. Um jogador da qualidade de Filip Djuricic não pode passar 50 minutos "escondido" em campo e a acumular erros atrás de erros, más decisões atrás de más decisões, foi mau demais. Fica a certeza, não acho que Djuricic volte a fazer um jogo tão fraco como o de hoje.

Rodrigo então, nota-se que está completamente fora de forma desde o primeiro toque na bola. Há alturas em que um jogador faz golos de qualquer maneira e feitio (está en racha) e outras em que nada sai, Rodrigo está num desses momentos horríveis onde falha passes de metro e meio e parece um corpo estranho. Rodrigo tem a desculpa de em determinado momento ter passado a jogar no flanco esquerdo e as preocupações tácticas e defensivas o terem "limitado" ainda mais, mas o péssimo momento de jogo de Rodrigo já se arrasta há muito...e oportunidades não lhe faltaram.

Lima está um jogador banal. Lá está, é esforçado e batalhador, mas esta época parece ter perdido a estrelinha da época passada onde facturava consecutivamente. Hoje, com um Éder do outro lado (em condições tácticas semelhantes) Lima pareceu pequenino...

Posto isto...ainda conseguimos vencer o jogo. Como ? Matic. Porquê ? Nemanja Matic. O sérvio voltou a ser a aranha e parecia omnipresente enchendo o campo. Se no primeiro tempo foram as arrancadas de Enzo Pérez (não sabe jogar mal) a dar alguma electricidade à equipa, na segunda metade Matic decidiu fazer o trabalho dele e de mais 2 ou 3 e depois de roubar a enésima bola, foi por ali fora e fez o golo da vitória num bom remate de pé esquerdo. E esse lance é a analogia perfeita do jogo, teve que ser Matic a fazer tudo sozinho: a roubar a bola ao adversário; a transportar a equipa para a frente; a rematar; e até a fazer o golo!

E a grande memória deste jogo vai mesmo para a celebração de Nemanja Matic com os adeptos após o golo (fez-me lembrar o golo de Coentrão, no último segundo frente ao Marítimo). Diz-se que pode estar perto da saída (a confirmar-se a eliminação da Champions é garantido - para mim - que o Benfica venderá um jogador em Janeiro) o que me parece um cenário nefasto para o Benfica, Matic é, hoje por hoje, um dos três melhores '6' do Mundo e o melhor jogador do plantel. Arriscaria mesmo dizer «vendam quem quiserem, menos o Matic!». A economia, o défice, o passivo são terríveis, mas perder Matic em Janeiro era hipotecar muito do futuro desportivo (que com ele entre nós pode ser de sucesso e consequentemente um desanuviar no capítulo financeiro), portanto, a termos que vender alguém em Janeiro considerem o Matic intocável. O sérvio é um fabuloso jogador mas é também um tremendo ser humano e devia ser baseado no Matic que o futuro do Benfica se devia escrever, já sei que a economia é madrasta e que clubes mais poderosos tornam quase impossível a sua continuidade por muito mais tempo, mas um jogador do perfil de Nemanja Matic merece todos os esforços.

A vitória foi fundamental, mas o entusiasmo voltou a arrefecer devido à prestação medíocre da equipa, segue-se uma dura batalha, 4ª feira em Bruxelas. Se vencermos poderemos ter um fim de ano civil em grande, perdendo será um grave passo atrás no espírito e moral da equipa. Mas nós somos o Benfica, resta-nos esperar pelo melhor e acreditar sempre nos nossos. E PLURIBUS UNUM

domingo, 22 de setembro de 2013

E o Benfica 13/14 ?

Na última época estivemos às portas do Céu e caímos de forma imparável no Inferno. Uma longa época brilhante, cheia de vitórias e futebol espectacular terminou no pior cenário possível, as poucas derrotas de 11 meses chegaram para zero títulos conquistados. Apesar da brilhantez exibida, nunca no consulado de Jesus o Benfica havia terminado sem a conquista de qualquer título.

A paixão das últimas semanas da época tornaram as derrotas num pesadelo inimaginável, em pouco mais de 15 dias passou-se de uma tripla conquista a uma infinita desilusão. Com o "requinte" da época acabar com uma deselegância feia de Óscar Cardozo (amado e odiado) com o treinador (ainda mais amado e odiado). Não podia ter sido pior.

A pré-época foi a mais sensaborona e indiferente para as bandas da Luz que eu guardo memória. A ferida estava longe de estar cicatrizada e havia pouca vontade de sonhar depois da dura - e fresca - realidade se ter abatido sobre nós. Todos.

O Benfica de Jesus teve um hit na época 09/10 e tentou fazer 3 remakes consecutivos. Já se sabe que, por norma, os remakes ficam aquém do original...e apesar da 3ª versão ter tido mais "receitas" que o primeiro filme, o final deixou a desejar e nenhum grande filme se pode dar ao luxo de não ter um final em grande. Para não abandonar os termos cinematográficos, nesta época, era necessário um reboot, Jesus não pode esperar os mesmos resultados se não têm os mesmos actores (Ramires, Saviola ou Aimar) ou o mesmo argumento. Portanto - e partindo com as expectativas mais baixas de sempre e a pressão mais elevada que nunca - Jesus tem actores e argumento não para um remake mas sim um reboot de uma película vencedora.

O Benfica 13/14 tem o melhor plantel dos últimos 30 anos (pelo menos), só me lembro de um plantel que podia rivalizar, o de 92/93 (com Futre, JVP, Rui Costa, Paulo Sousa, Mozer, Paneira, etc., etc.) e mesmo que esse tivesse mais estrelas não era, de todo, tão completo como este. Na minha opinião, este Benfica actual tem todo o tipo de soluções e abundância para todas as posições, e consegue contar com uma boa meia-dúzia de foras-de-série (Salvio, Markovic, Djuricic, Gaitán, Luisão, Matic e Enzo), todos jogadores de primeira água e que fazem a diferença. Este plantel está apetrechado e repleto de bons valores qualquer que seja a estratégia.

JJ tem então ao seu dispor uma galeria de eleitos como nunca até aqui, tem quantidade e qualidade ímpar para vencer tudo o que disputar em Portugal e ombrear com os maios fortes da Europa. Mas o que está no papel, a teoria não é suficiente para vencer jogos e a disposição psicológica da equipa no início desta época estava longe de ser a ideal. Primeiro porque não se esquece um pesadelo como o da época passada de um dia para o outro, e segundo a instabilidade latente na preparação da equipa (o caso-Cardozo, as saídas de atletas) que ajudou a uma indefinição tremenda para todas as partes. Jesus porque não sabia com quem contar para agilizar e mecanizar processos e vários jogadores que estiveram com a cabeça fora até ao dia 2 de Setembro.

É muito difícil evitar que isto afecte o rendimento, é preciso muito carácter e profissionalismo para continuar a render e a servir o Benfica. Muita gente não o teve. E chegámos à competição oficial com um ar de pachorra e pouca vontade que o Marítimo (com pouco mais que garra e atitude) aproveitou fatalmente. 3 pontos ao ar e finalmente uma wake-up-call que ninguém parecia ter vontade de encarar. É nesta altura que LFV dá uma grande entrevista (terá sido tardia ?) e coloca os pontos nos iis. Esclareceu uma série de situações e redobrou o apoio à equipa técnica e jogadores, apelando a todos os benfiquistas que fizessem o mesmo. Gostei bastante da entrevista, mas se teríamos vencido o Marítimo se ela tivesse sido dada antes ? Ou melhor, haveria entrevista se não tivéssemos perdido ??

São "coisinhas" destas que nos afastam da perfeição (ou de uma estrutura poderosa, vá), porque parece que no Benfica só se chama a polícia depois da bomba rebentar, vão-se usando paninhos quentes no paciente e só se opera quando o osso fica exposto. Há que saber "ler" e agir em antecipação, às vezes estes pormenores também valem pontos... Se calhar tinham valido 3...

No jogo seguinte vencemos o Gil com Alma, porque futebol foi pouco (como se esperava, ninguém passa a jogar maravilhas em 8 dias) mas valeu a atitude demonstrada, a tal raça e querer. Aquilo que faltou e muito na Madeira. Houve ainda dois episódios de realce: Jesus a confortar Maxi Pereira (cujo erro amador ia custando pontos) e Luisão na defesa do grupo perante o gang-do-assobio.

Sobre Jesus e Maxi é aquilo que um líder deve fazer, não se esquecer do Homem Maxi nas horas más e motivá-lo porque ele é fundamental neste grupo e nesta equipa. Quanto a Luisão remeto-me para a semana seguinte em Alvalade. Ele e Markovic foram gigantes. O sérvio porque é o mais parecido com um génio que vi vestir o manto sagrado desde João Vieira Pinto (e tem tanta coisa do menino d'Ouro...até o fazer golões em Alvalade) e Luisão porque é o Capitão com mais carisma do Benfica desde os saudosos tempos de Veloso ou Ricardo Gomes. A forma como ele comanda toda a defesa, como nunca se esconde nos grandes jogos e ainda como é de facto imperial no jogo aéreo defensivo. Não há nenhum defesa tão importante no Benfica actual como Luisão, um veterano com 10 anos de casa e constantemente fidedigno, é muito fácil jogar com Luisão ao lado, ele torna os companheiros melhores defesas e mantém a equipa alerta a todo o instante. É a voz do treinador e é já um símbolo do Benfica, por muito que alguns assobiem as próprias cores.

Markovic é um menino a jogar futebol nas ruas da Sérvia, só que leva o 50 nas costas e o símbolo do Benfica no peito. A forma simples, despreocupada e genial como tira adversários do caminho quase sem uma gota de suor tem muito de JVP, as recepções de costas, orientadas, também, só na velocidade o sérvio ganha (na mesma ordem em que perde para o português no jogo de cabeça). O que ele fez em Alvalade dá a ideia de que assim que dominou a bola só viu o Rui Patrício (nas 2 vezes) e foi direito a ele, ignorando a distância e os adversários que ingloriamente o tentaram parar. Podia ter feito 2 golos do outro mundo, fez um. Nada mau para quem tem 19 anos e jogava o primeiro derby na casa do adversário.

Foi um jogo estranho. Um Sporting renascido depois de um 7º lugar e finalmente com um treinador que sabe organizar uma equipa e coloca-la a pressionar. Este Sporting trabalhou sem qualquer pressão na pré-época (já não faz parte do patamar de Benfica e Porto) e chegou com 2 vitórias ao derby, jogo que, por muito fracos que eles sejam, fazem das tripas coração para nos vencer (basta recordar que os festejos destes sportinguistas na época passada resumiram-se a um golo do Porto, precisamente no dia em que confirmavam a pior classificação da sua História....lagartices, como entender tamanho complexo de pequenez ?) aliás, vencer o Benfica (1 vitória e 2 empates é o melhor que conseguiram no consulado de Jesus) é o título que almejam realisticamente.

Portanto tínhamos uma equipa certinha, a correr muito e super motivada frente a um Benfica altivo e que sabia que era melhor. A maior vontade dos leões conseguiu-lhes um golo (irregular) e algum domínio aparente mas sem criar perigo. O Benfica foi medíocre na 1ª parte mas teve uma ocasião flagrante por Salvio. No segundo tempo, e com a genialidade de Markovic, só deu Benfica, depois do empate os da casa perderam-se completamente e o segundo golo do Benfica estava próximo. Via-se um Sporting partido, desesperado e sucessivas cavalgadas benfiquistas a rondarem a baliza adversária. O Benfica não soube ou não conseguiu (Cardozo inexistente ainda sofreu um penalty de catedral ignorado olimpicamente por um tal de Hugo Miguel) matar o jogo e o Sporting lá conseguiu equilibrar o jogo nos minutos finais.

Com o fim do derby chegou o fim do período de transferências e uma acalmia no plantel e no psicológico do grupo. Vinha aí a Champions e novos desafios. Nesta altura não espero nota artística, o Benfica tem de ganhar jogos mesmo que jogue de forma horrível (mas tem melhorado significativamente), porque as vitórias, nesta altura, serão o complemento ideal, servirão de cola para unir todo o grupo, deixemos as genialidades para depois.

Venceu-se o Paços, o Anderlecht (excelente equipa, para mim mais forte que o Olympiakos) e o Guimarães com 6 golos marcados e 1 sofrido, bom prenúncio para o que se segue. A equipa não dá show ainda mas está mais sólida e tem imenso para crescer, se conseguir fazer esse crescimento vencendo todos os jogos a ilusão voltará e com ela a confiança e autoestima dos jogadores. Esta equipa vai ser muito boa, mas só disputará títulos se não escorregar até Dezembro, se conseguirmos vencer jogos a nota artística e os muitos golos surgirão tranquilamente, mas de momento é hora de apostar na solidez, de arriscar menos e esperar pelo melhor momento de forma sem perder jogos nem pontos.

P.S. - grande Jesus no final do jogo em Guimarães. Vénia. Que aquelas acções demonstrem o seu comprometimento com o Clube.