segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

LIMA, a lança de JORGE que matou o Dragão

César Brito. Nuno Gomes. Lima.

Vi 3 vitórias, para o Campeonato, no Estádio do Porto, em todas o nosso avançado bisou. César Brito saltou do banco, mas Nuno Gomes e Lima fizeram os 2 golos como titulares e tiveram festejos idênticos: Nuno apontou para as quinas de campeão, que na altura estavam no braço da nossa camisola e Lima relembrou a todos quem era o Campeão. Coincidências.



Mas recordemos o que foi ESTE pré-clássico. Desta vez não houve bolas de golfe, não houve "padradas" nem uma intimidação mesquinha e bacoca tão frequente naquele Estádio específico. Mas também não houve uma real e honesta abordagem por parte da Comunicação Social a este desafio. Durante anos o Benfica visitava o Porto atrás na classificação e existia uma pressão enorme sobre nós, «não podem sequer empatar» dizia-se, porque se não vencesse o Benfica estava afastado do título. Desta vez não li nem ouvi ninguém dizer que a pressão estava toda no Porto e que este não podia sequer empatar. O que eu li - até na jornada anterior - é que o Porto preparava o assalto à liderança...

Não li ninguém ponderar sequer a possibilidade de o Benfica fazer check-mate na casa do principal rival. Mas percebe-se. Se desde Agosto ouvimos falar de um Super-Porto, do melhor plantel dos últimos largos anos e do passeio que seria este Campeonato para eles face a um Benfica (detentor de TODAS as provas nacionais) morto e enterrado.

Deve haver hoje melões estratosféricos, destaco as palavras do director do jornal oficioso do Futebol Clube do Porto, antes do jogo:

«Os clássicos costumavam ser jogos tão importantes que os treinadores preferiam não os jogar. Eram armistícios de hora e meia. Nem os adeptos levavam a mal aquelas estratégias paranóicas, desconfiadas, de risco mínimo, com frequência acabadas em nulos. Jorge Jesus é desse tempo e chegou a jogar um Benfica-Porto assim, contra Jesualdo Ferreira. Em 2009, o Benfica dele, de olho na equipa tetracampeã de Jesualdo, era como este Porto de Lopetegui, e aquela vitória, mesmo assustadiça, significou o render de guarda. É indiscutível que, hoje, uma derrota castigará mais o espanhol, mas o Benfica também vai a exame. Tem muito mais rodagem (da melhor que há, porque treinador e equipa fizeram-na juntos) e vários jogadores estão no auge das carreiras. Se, nestas condições, não conseguirem vergar um concorrente que está só no começo haverá ilações a tirar. Talvez as mesmas de 2009.»

Como em tão poucas linhas se pode errar tanto. Os dedos de Jesus devem estar bem marcados na tromba deste avençado ainda a esta hora. Este pequeno "texto" em conjunto com o jogo de ontem atinge dimensão épica. Comecemos pelo final, o artista tenta pressionar o Benfica (que até parece que tem a mesma equipa há 6 anos...) a vencer (2 vitórias em mais de 20 anos...) porque caso contrário será o fim de ciclo benfiquista. Haja decoro.

Depois consegui comparar o Benfica versão rolo-compressor de 09/10 com este Porto de Flopetegui. O quê ?!?? Sim, ele escreveu-o. E disse até que aquela vitória (1-0, golo de Saviola) foi assustadiça, quando, nesse jogo, o Porto entrou em campo com "três tristes trincos" (como Rui Moreira lhes chamou). Uma vitória que pecou por escassa e em que o Porto consegui ZERO oportunidades de golo. Mas que grande lata ò Ribeiro.

O tipo consegue dissertar que o Benfica é muito mais experiente, que deve ganhar por isso, mas, caso não consiga é o fim de ciclo encarnado. Que coerência. Mas o coitado conseguiu acertar numa coisa, os "adeptos não levavam a mal aquelas estratégias". Verdade. Os Super Dragões nem se importaram em comparecer ao jogo, o resto do Estádio recebeu os votos de Natal e nem lenços brancos foram visíveis. Portanto tudo está bem quando acaba bem e Lopetegui é um afortunado.

Por falar em Chulen (sic) Lopetegui (o tipo da transmissão apelidou-o assim), tem sido cada tiro cada melro num rol de declarações brilhantes, quiçá proféticas, a saber:

«O bonito da Taça de Portugal é ser um jogo único» - lá está, mais bonito foi ELE ter feito um único jogo.

«Olhar para a tabela classificativa é anedótico» - na altura estava a 2 pontos do Maior, hoje, a 6/7, a tabela parece-me hilariante Julen. E cheira-me que quando quiseres olhar para a tabela vais chorar por não nos veres.

O basco Lopetegui, que perdeu 2 clássicos em casa, disse, no final de ambos, que a sua equipa foi superior (no caso do Benfica, muy superior). Não digam a ninguém, mas na tabela da Liga Da Superioridade, o Porto de Lopetegui lidera isolado.

Outra coisa que tenho reparado em Flopetegui é a azia nas flash interviews e Conferências de Imprensa sempre que não obtém um bom resultado. As flash são a despachar e as CI são diminutas (mas isso já é política-Porto, quando perdem não querem ser questionados e pisgam-se depois de 3 ou 4 perguntas), mas nesta última começou por exibir - com pouca desfaçatez - o dedo do meio após a pergunta "o Porto tem mais dificuldade em lutar pelo título ?". Continua assim Julen, estás cada vez mais a Ser Porto.




Quem ganhou este clássico foi JORGE JESUS. De Cátedra.

O Benfica inicia o jogo muito subido não dando tempo e espaço para o Porto conseguir jogar. Nos primeiros 15 minutos o Porto até conseguiu rasgar essa postura defensiva do Benfica com 2/3 lançamentos em profundidade. Nunca mais, até ao intervalo, voltou a furar a linha defensiva encarnada. Ainda assim tem 2 flagrantes oportunidades, Herrera ao lado e Jackson  para grande defesa de Júlio César.

Mas com excepção destes dois lances, o Benfica manietou completamente o adversário. Reduziu fortemente o campo (os metros onde as duas equipas se encontravam eram diminutos) subindo a defesa mais que o habitual e o Porto não conseguia sair a jogar.

Começaram a destacar-se os nossos homens de características defensivas: André Almeida , amarelado no primeiro minuto pelo veloz Tello, fez um jogo soberbo (mais um) "limpando" toda a gente que lhe apareceu ali (Tello, Brahimi, Quaresma). Eliseu vai ter que pedalar muito para recuperar o lugar porque hoje por hoje não deve haver muitos (se é que há algum) laterais portugueses mais competentes que ele. André Almeida é hoje - e muito justamente - um dos grandes símbolos do Benfica (ele que muita vez é injustiçado até por alguns benfiquistas de vistas curtas).

Se André Almeida, para mim, não foi surpresa nenhuma (já disse que o melhor jogo que vi dele - até esta época - havia sido a 2ª mão frente ao Fenerbahçe, onde foi defesa esquerdo), a portentosa exibição de Maxi Pereira superou as minhas expectativas. Não me recordo de uma exibição defensiva do uruguaio como esta. Intratável, meteu Brahimi no bolso e fez com que o argelino fosse assobiado pelos próprios adeptos.

De Enzo espero sempre o melhor, portanto o meu destaque para o esforço de Samaris e Talisca. O grego começa a soltar-se e o menino brasileiro, ontem arregaçou as mangas e foi mais um a ajudar a equipa. Outra grande surpresa para mim o espírito de sacrifício demonstrado por Talisca.

Gaitán é hoje o melhor jogador em Portugal (ultrapassou Enzo Pérez), só o toque de bola do homem vale o bilhete. Não tendo sido decisivo, foi genial sempre que tocou no esférico e via-se como o adversário tremia quando Nico dominava e encarava os defesas.

Salvio terá ficado inferiorizado no braço muito cedo e foi talvez o único que se exibiu abaixo das expectativas. Isto até ter entrado Ola John. Numa noite normal poderia ter ajudado a avolumar o resultado.. Entrou lento, sem velocidade de explosão e com tomadas de decisão horríveis. Com um Ola John destemido teríamos goleado ontem.

Ainda falta referir que o Porto enviou 2 bolas à trave na parte final, ambas após a saída por lesão do capitão Luisão. Coincidência talvez, porque tanto Jardel como César - que o substituiu num momento difícil - estiveram bem. E Júlio César a mostrar outra vez que é um GR de top mundial (Oblak who ?).

Nas tvs o prémio de aziado-mor vai para Manuel Queiroz (o tipo que depois de ver o murro de James Rodriguez disse que não era vermelho mas sim amarelo) que entre muitas, inúmeras, tiradas cheias de fel conseguiu comparar o apagar das luzes ao arremesso de bolas de golfe e que o Benfica teve sorte porque marcou um golo com a anca "acontece uma vez". Vá lá que o golo com a anca não foi um chouriço aos 92' ou em fora de jogo.

Já António Oliveira, o ex-selecionador, voltou a colocar os pontos nos is arrasando Flopetegui e dizendo aquilo que TODOS vimos: «Este discurso parece mais radiofónico. Ele por acaso sabe que o jogo foi transmitido? Parece um jogo relatado de hóquei em patins, em que a gente acreditava no que ouvia. Eu não queria duvidar do que o senhor está a dizer, mas nós vimos o jogo. E o FC Porto, em casa, tem a obrigação de ganhar. Alguém vai acreditar nisto? Ele está a fazer de todos nós parvos, ou não viu o jogo... Ele cria a expetativa na equipa de que tudo está bem. Este discurso não tem lógica nenhuma». Aplausos para o Oliveirinha que desde que se formou em direito parece ter-se apaixonado pela justiça e tem dito verdades como punhos, umas atrás de outras.

O melhor que aconteceu ao Benfica nos últimos largos anos chama-se Jorge Jesus, já ganhou todas as competições no Benfica, acumula recordes atrás de recordes e é ele o rosto da real mudança de ciclo no futebol português. Que continue muitos anos do nosso lado, porque com ele no Benfica..



quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

E depois do adeus...

...haverá Revolução no Benfica ?

O último jogo na fase de grupos da Champions desta época mostrou um Benfica de segundas linhas (só o Enorme André Almeida tinha sido titular no jogo anterior - 3-0 - frente ao Belenenses). Com 10 "suplentes" temeu-se o pior frente a um Leverkusen fortíssimo ofensivamente e que havia vulgarizado o Benfica na Alemanha (3-1).

Mas a "revolução" mostrou as reais capacidades dum plantel que tem sido constantemente alvo de críticas e considerado muito inferior face a outros candidatos neste cantinho à beira-mar plantado. Pois bem, uma equipa que nunca havia jogado junta, não só segurou o Bayer Leverkusen, como demonstrou excelente nível.

Vamos por partes. Artur mostrou-se seguríssimo e revelou tranquilidade sempre que interviu (e bem). Os centrais foram excelentes na entreajuda e, para surpresa minha, não demonstraram nervosismo. Destaco César porque acho que foi melhor, vi-o com uma excelente capacidade técnica, muito bom com a bola no pé e a sair a jogar. Arrisco dizer que é neste momento o 3º central da equipa, na frente de Lisandro. O argentino não complicou, mas foi menos exuberante que o seu companheiro de sector. Lisandro tem mais minutos e experiência que César neste Benfica e talvez isso tenha ajudado na performance tranquila. Pessoalmente fiquei muito melhor impressionado com César, parece-me mais rápido e mais contundente que Lisandro López, mas ambos tiveram bons desempenhos.

Nas laterais, havia algum "burburinho" com Benito que não tem demonstrado grandes capacidades para ser titular e que no último jogo havia feito um atraso inenarrável para Júlio César que só se vê nos distritais... O mesmo Benito que nos poucos minutos desse último jogo parecia ter tremido como varas verdes, apresentou-se motivado e cresceu muito durante o jogo. Foi acertando as decisões (sobretudo os passes e as movimentações ofensivas) e ganhou confiança num jogo com opositores tudo menos fáceis. Fisicamente é muito forte e talvez por isso tenha subido mais no terreno que André Almeida, mas fiquei agradado com o ritmo do suíço e com a desfaçatez com que se incorporou na manobra ofensiva.

De regresso à lateral direita (tem jogado como defesa esquerdo desde a lesão de Eliseu) esteve o senhor André Almeida. Há algum tempo que tenho pensado em escrever um post sobre André Almeida, que, nos dias de hoje, me parece um dos maiores representantes da Mística. E acredito que tem cada vez mais peso naquele balneário. Jogador de uma grande humildade, joga 5 ou 90 minutos sempre "a tope", apoia todos os companheiros dentro ou fora de campo e nunca demonstra um pingo de insatisfação ou tristeza. Muito pelo contrário, jogue em que posição jogar, Almeida é competente e um valor seguríssimo neste plantel. A mim não me surpreendeu a braçadeira no seu braço, foi um prémio justíssimo para um homem e um jogador enorme. Neste jogo voltámos a ter a fiabilidade defensiva do costume (esteve intratável perante Hulk em S.Petersburgo) e o carácter de sempre. André Almeida é - justamente - um dos nomes grandes deste Benfica contemporâneo.

Como pivot defensivo surgiu Cristante. O jovem italiano tem uma capacidade de passe, sobretudo longo, exímio, mas não é tão agressivo na reacção à perda como aquele lugar exige (recordemos Javi Garcia, Fejsa ou Matic nesse aspecto) e a velocidade não é um dos seus fortes. Se juntarmos a isso o facto de ter uma equipa adversária potente e rápida e não ter nenhum "titular" a ajudar o seu trabalho, a sua tarefa parecia muito complicada. Mas Cristante foi à luta, literalmente, e além da sua capacidade de passe e gerir ritmos, conseguiu destruir e recuperar muito jogo. Encheu o campo com pormenores deliciosos e provou que temos aqui um jogador com um potencial superior, assim ele continue a trabalhar e a crescer.

No centro do terreno, junto a Cristante apareceu...Pizzi. Pizzi "fez de Enzo" (médio de ligação, defender e atacar, box-to-box) e cotou-se só como o MVP. Um jogo brutal de Pizzi pela qualidade elevadíssima do seu desempenho. Não só fazia jogar toda a equipa como recuperava bolas com o físico, corria quilómetros e raramente falhou um passe, dono de uma capacidade técnica assinalável, Pizzi colocou a cabeça em água aos alemães. Pizzi é tão bom como Enzo ? É difícil responder, Enzo faz muitas coisas e todas bem, Enzo não sabe jogar mal, mas neste jogo Pizzi foi tão bom como Enzo Pérez, sobretudo na elevada rotação que imprimiu ao seu jogo. Mas Pizzi só fez um jogo "à Enzo", poderá ele ter o rendimento constante do argentino naquela posição ? Veremos, mas a exibição da última terça-feira roçou o óptimo.

Nas alas tivemos Ola John e Bébé (ou Tiago). Ola John voltou a mostrar que tem um nível muito alto, falta-lhe continuidade e capacidade para se auto-motivar. Tecnicamente o holandês é um privilegiado e se aliarmos essa capacidade técnica à potência física, ele tem tudo para ser um extremo de nível mundial. Mas mentalmente estará muito longe dos requisitos necessários para se atingir esse patamar de eleição, se conseguir alterar isso, Ola John será das armas ofensivas mais perigosas do Benfica.

Se à esquerda esteve Ola John, na direita jogou Tiago. O português esteve melor do que esperava mas demonstrou tudo o que eu acho dele, o bom e o mau, a saber: muito possante e rápido mas fraco e pouco inteligente na tomada de decisão. Um jogador com a capacidade física dele precisa ser mais maduro na hora de passar, rematar ou cruzar. Nesse aspecto, Tiago é um jogador muito infantil e precipitado, é preciso trabalhar a tomada de decisão, sobretudo num jogador com a sua potência física e que tem tanta facilidade para se "ir embora" do seu marcador directo.

Derley e Lima formaram a dupla de avançados. Lima voltou a esforçar-se mas falhou um golo cantado de forma incrível e pareceu não ter conseguido apagar esse momento da sua memória. Se noutros jogos esta época, mesmo não marcando, Lima exibiu-se a muito bom nível, frente ao Leverkusen esteve abaixo do seu real valor. Já Derley demonstra a cada dia que está a crescer, que é um excelente pivot ofensivo, na forma como segura a bola, como faz paredes com os colegas e na forma como luta por todas as bolas. Ou muito me engano ou Derley terá um papel importante nesta época.

Do banco vieram os outros dois destaques: João Teixeira e Nélson Oliveira. O "miúdo" João Teixeira estreou-se de forma oficial nos seniores e em pouco mais de 5 minutos conseguiu expulsar um adversário e mostrou ser um jogador bastante rotativo (apesar de algo ingénuo também), depois da fantástica pré-época, há que contar com ele.

Nélson Oliveira provou, em apenas 15 minutos, que merece mais tempo de jogo (nem pensem em empresta-lo em Janeiro) e que é um avançado de elite: fino, técnica apuradíssima e um brilhante jogador de equipa. Se Jesus quiser reactivar o sistema de 2 avançados que tão bom resultado deu na última época com Lima & Rodrigo, Nélson tem que jogar, e parece-me perfeito para fazer o papel do hispano-brasileiro. Oxalá Nélson se tenha motivado (ele que aparentou uma cara "triste" desde que entrou em campo) e saiba capitalizar estes escassos mas brilhantes 15 minutos. E oxalá Jesus perceba que Nélson Oliveira tem muito a acrescentar a este Benfica, nem Lima nem Derley têm a sua capacidade técnica e nem Jonas tem a potência e velocidade do jovem formado nas nossas escolas. 2015 pode ser o ano de Nélson Oliveira. Disse-se muitas vezes que só lhe faltava um clique para explodir definitivamente, eu acho que esse clique não passa pela obtenção de um golo mas sim por uma mudança de chip na forma como o próprio Nélson abordará a questão. É ele quem tem que primeiramente mudar a sua atitude para se tornar um titular absoluto. A amostra foi boa e JJ não a pode ter ignorado.

O que ficou provado é que este plantel não é, de todo, tão fraco como se apregoava e que Jorge Jesus tem trabalhado bem. Porque uma coisa é incluir 2, 3 ou 4 jogadores numa equipa com rotinas e dinâmicas, outra bem diferente é colocar uma equipa nova e que ela demonstre os princípios de jogo da titular, a isso chama-se qualidade de treino. E se esta exibição não trouxer uma revolução no 11 (porque é difícil que jogadores como Enzo, Salvio e Gaitán, ou até Luisão não sejam titulares), já trouxe certamente uma esperança num futuro risonho.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Di Maria. Gaitán. Correa ?

Di Maria chegou à Luz como um dos novos prodígios do futebol argentino. Acabado de se sagrar Campeao do Mundo sub-20 com a Argentina (ao lado de Kun Aguero) no Canadá (onde Coentrao brilhou como extremo esquerdo), o jovem jogador do Rosario Central era visto como o substituto natural de Simao Sabrosa.

Di Maria era um jogador explosivo, tecnicamente evoluído mas muito diferente do Simãozinho. Di Maria era um extremo à antiga, jogava bem encostado à linha lateral e deixava a cabeça em água ao lateral contrário. Era normal ve-lo fintar (ou gambetear como dizem os seus compatriotas) o defesa uma, duas ou três vezes na mesma jogada. Di Maria optava por humilhar o contrário ao invés de ser produtivo e eficiente.

Era um jovem com sangue na guelra mas bastante "verdinhho" para o competitivo futebol europeu. Mas via-se que era um fenómeno, num dos seus primeiros jogos, na Choupana, fez uma jogada antológica onde driblou meia equipa e depois foi incapaz de oferecer o golo a Cardozo ou concretizá-lo ele próprio.

Muitas vezes Di Maria parecia uma galinha sem cabeça, pois corria desenfreadamente mas sem o mínimo critério e/ou objectividade.Foram anos negros até à chegada de Jorge Jesus à Luz. Tendo-se equacionado mesmo a transferência do astro argentino por não passar de um brinca na areia.

Mas havia magia em Di Maria (golo de antologia com Maradona - então seleccionador argentino - na Luz a assistir), o que demonstrava que não se podia perder a esperança num talento bruto deste quilate.

Jesus potenciou as suas capacidades e Di Maria tonou-se um punhal na extrema esquerda encarnada em 09/10. Não esqueço, ainda nessa pré-época, um jogo em Amsterdam, no torneio do Ajax, onde vi Di Maria a fazer carrinhos na linha de fundo defensiva e a subir e descer com critério e pulmão. Parecia estar motivadíssimo como nunca o tínhamos visto e nessa época sucederam-se as exibições monumentais, umas atrás de outras. O rebelde gambetero havia-se tornado num futebolista de elite, sabendo decidir quando driblar e como ser produtivo. Sem surpresas, seria transferido para o Real Madrid de Mourinho por mais de 30M (recorde na altura).

Depois de Di Maria chegou ao Benfica outro argentino para o substituir: Osvaldo Nicolás Fabián Gaitán. Vindo do colosso Boca Juniors, Nico Gaitán demonstrou o seu nível rapidamente, mas a memória fresca de Di Magia (como o pequeno genial se referiu a ele) tornou a comparação inevitável e isso não foi fácil ou positivo para o novo craque vindo das Pampas.

Gaitán não era (nunca será) um extremo "de linha" como Di Maria, era um jogador que gostava mais de zonas interiores e que - tal como o seu predecessor - não estava habituado a defender. O talento de Gaitán também era óbvio, mas Nico era mais cerebral, mais elegante que o puro sangue Di Maria.

A sua adaptação foi mais rápida que a de Angelito, e apesar de não ter um jogo tao espectacular e entusiasmante como o compatriota, tinha algo superior: classe.

Gaitán deu nas vistas, nos seus inícios entre nós, com slaloms impressionantes, quando embalado parecia imparável. Mas desaparecia muitos minutos durante um jogo, deixando de vez em quando alguns pormenores de génio. Gaitán era um craque, mas não era Di Maria, pareciam pensar os benfiquistas.

Mas Nico Gaitán evoluiu de época para época e passou a ser determinante no poder ofensivo do Benfica, ele tinha técnica, velocidade, visão de jogo e muita, muita classe. Gaitán é o tipo de jogador que perfuma a bola quando lhe toca, com ele a redondinha nunca se queixa.

Portanto tivemos 2 argentinos "canhotos" que encantaram a Luz. Com a mais que provável transferência de Gaitán no final desta época (digo eu...), outro argentino entra no radar do Sport Lisboa e Benfica: Joaquín Correa.

Digo-o desde já, a concretizar-se o negócio Correa, o Benfica acerta na mouche! É um jogador bastante parecido com o Gaitán, na minha opinião, um futebolista fino, elegante, transpira classe a cada toque de bola. No Estudiantes joga no lado esquerdo, mas tal como Nico, não é um extremo puro e procura bastante jogo interior. É um destro (apesar de não ser "cego" com o pé contrário) a jogar no lado esquerdo mas a elevada capacidade técnica permite-lhe sair do drible para "dentro" ou para "fora" deixando o seu opositor sem saber por onde o vai "partir".

Correa tem boa visão de jogo, uma técnica prodigiosa e muita velocidade, é um talento extraordinário e se for este o substituto do Picasso Gaitán, não temos nada a temer: é craque da cabeça aos pés!

Não quero que Gaitán saia, mas quando isso acontecer, quero que seja Correa o seu substituto, é um futebolista que tem tudo para ser estrela mundial.

domingo, 30 de novembro de 2014

Adeus Champions. Adeus Europa. Adeus Enzo. Olá 34º ?

Continuo a achar que o Benfica era a melhor equipa do seu grupo (e não por sermos Pote 1), o Monaco é mediano, o Zenit tem 3/4 jogadores muito bons mas está longe de ser uma Equipa de nível e o Leverkusen, apesar de bons elementos e um excelente treinador, não é ainda um papão, e não tem a nossa experiência europeia.

Por tudo isto, o nosso rotundo fracasso encontrará razões e origens internas. Para mim - confesso admirador do nosso Jorge Jesus - o principal responsável é o técnico. Mesmo que eu ache (continuo a achar!) que a este plantel falta um '9' nove!, isto é, um ponta de lança finalizador, frio, matador; o treinador teria que ter formatado a equipa para pelo menos ser consistente. Se ele não pode marcar golos, pode preparar e rentabilizar a equipa para não os sofrer. Por isso eu acho que faz mais falta um grande '9' (que Jonas nunca será, antes um bom segundo avançado) que um grande central para fazer dupla com Luisão.

No Monaco e em S.Petersburgo (até na Luz frente aos franceses) um grande PL teria resultado em 6 pontos para nós e um apuramento para os oitavos nesta altura. Em largos minutos desses jogos, o Benfica encostou o adversário e desperdiçou várias oportunidades de golo consecutivas. Ao não ser eficiente, acabou por ficar longe dos oitavos e hoje está fora da Europa em Dezembro!

Tivemos jogadores expulsos em todos os jogos menos na Alemanha (2 centrais e 1GR, e só a expulsão na Rússia não teve qualquer influência por ser nos instantes finais), mas na Alemanha Jesus levou um banho tático. Roger Schmidt estudou-nos bem e foi perfeito na optimização dos seus próprios atletas. No papel, esse jogo da Alemanha e a disposição do Leverkusen poderiam favorecer os nossos famosos contragolpes fulminantes, mas o triângulo Cristante-Enzo-Talisca foi engolido e passou ao lado do jogo, nunca conseguindo ter posse nem critério para dinamitar o último reduto alemão. Nesse jogo aconteceu o que costuma acontecer aos adversários europeus de Jesus, a nossa equipa foi bem estudada e nós fomos surpreendidos.

Houve golos falhados, houve expulsões...mas nesta fase de grupos não houve Jesus; não houve o dedo do treinador a desequilibrar para o nosso lado. E num plantel com menos opções que os últimos...isso nota-se.

E é Jesus que torna Coimbra e a Académica num surpreendente jogo-chave. Antes deste flop europeu, todos os benfiquistas contavam os 6 pontos (Académica fora e Belenenses em casa) antes da deslocação ao Dragão como garantidos, mas entretanto, a visita à cidade dos estudantes ganhou dimensão de desafio fundamental. Por várias razões: é o jogo seguinte a um jogo de Champions e isso nota-se sempre; é um jogo emocionalmente difícil tendo em vista a precoce eliminação europeia; e o stress de não perder qualquer ponto antes do clássico com o principal rival aumentou muito.

Como responderão os nossos jogadores ??

Disse em Agosto que Enzo se tinha despedido em Aveiro, na Supertaça. E na verdade ele pensava ter feito ali o último jogo de águia ao peito e inclusivé fez um aceno final a todos os adeptos. Ele sabia do negócio, o Valencia pensava tê-lo garantido e o Benfica, só à última hora (a entrevista de Vieira garantindo 30M ou nada) salvaguardou os nossos interesses depois de - creio eu - há muito ter aceitado os 25M propostos pelos espanhóis.

Face à inesperada razia do último defeso, Enzo - que era a jóia da coroa - tornou-se no símbolo da esperança dos benfiquistas, com ele do nosso lado nem tudo estava perdido na época 14/15. Terá sido esse o motivo para que o Benfica extremasse posições nas negociações exigindo agora o pagamento da cláusula. Enzo - felizmente - acabou por ficar. Se ficou contrariado nunca o demonstrou. Mesmo que o seu nível exibicional não seja ainda o nível de elite das últimas duas épocas (e alguém nesta equipa está ao mais alto nível que já exibiu ??), o internacional argentino tem dado o litro como sempre, em todos os jogos.

Só que com a prematura eliminação europeia, as receitas do Benfica diminuem drasticamente e não acredito que o Clube resista à tentação de vender o jogador com mais mercado. 30M servirão para...3 meses de salários...e pouco mais. Financeiramente a época fica resolvida, mas desportivamente...pode ser um hara-kiri que não vai acabar bem para ninguém, nem para Jesus, nem para Vieira e nem para o Benfica.

Se o Benfica não vender Enzo ao Valencia em Janeiro (porque faria muito mais sentido transacioná-lo no final da época, porque os espanhóis também não disputam provas europeias) aplaudo a estratura e o voto de confiança para que este plantel possa terminar o ano em beleza com mais 3 títulos no nosso Museu, mas é imprescindível que o Benfica se mantenha na liderança até Janeiro. E isso passa muito por hoje em Coimbra, se houver raça, querer e ambição, todos voltaremos de baterias carregadas e mais unidos face ao futuro próximo. Nem precisa haver nota artística, se os jogadores demonstrarem estar unidos e motivados, o Benfica vencerá, mas se houver uma réstea de dúvida ou indefinição...nuvens negras se aproximam.

Fora da Europa e com todo o primeiro semestre de 2015 centrado apenas em provas nacionais (ok, falta eliminar o Braga na Luz para a Taça de Portugal, mas foi curiosamente frente ao Braga, onde - para mim - fizemos os melhores 45 minutos desta época) o Benfica tem quase a obrigação de ser campeão. Até porque já é líder isolado, não tem que correr atrás de ninguém, basta-nos ser eficientes, consistentes e jogar as provas nacionais como se de finais se tratassem.

P.S. - se Enzo sair prevejo um meio-campo com Fejsa a 6 e Samaris a 8 depois de Janeiro. Porque até acho que o Samaris veio para o lugar do Enzo, é um jogador com propensão ofensiva, boa técnica e alguma chegada ao golo - que ainda não se viu porque o grego tem andado "amarrado" (e até nervoso) com aquilo que JJ lhe exige.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

*Ich bin mitglied des grössten klubs der welt, und du ?

Parece que a habitual sobranceria alemã (o DDT da Europa) revelou-se perante a frustração de estarem atrás de um clube do sul da Europa (esses malandros...) no número de sócios. É caso para dizer "que lata a do alemão!".

Mas além da frustração, o senhor do Bayern de Munique chegou a levantar dúvidas acerca da veracidade do número de sócios do Sport Lisboa e Benfica. Tendo em conta as coordenadas geográficas de onde saiu essa afirmação, o autoritarismo com que essas palavras foram lançadas parece-me ultrapassado em pleno séc. XXI. Querer ser o Maior à força, ignorando a democracia e as vontades (legítimas) alheias é muito feio. E demonstra tudo menos fair-play.

Munique nem sequer é a maior cidade da Alemanha, tem 1,3 milhões de habitantes. Só a área metropolitana de Lisboa tem mais do dobro (mesmo que Lisboa cidade contabilize apenas cerca de 500.000 habitantes), 2,8 milhões.

Aquilo que os alemães não devem saber (mas deviam!) é que o Benfica não é um clube de Lisboa, nem sequer de Portugal, o Benfica é um clube mundial, e se há portugueses nos 4 cantos do Mundo, há concerteza benfiquistas em todo o lado também.

Não gostei nada da desconfiança dos alemães, foi uma atitude feia, déspota e que tentou menorizar o nome e o peso do Sport Lisboa e Benfica.

O Benfica já respondeu, com algum humor à mistura, lançando novo apelo aos benfiquistas (inexcedíveis sempre!) para que se façam sócios do Clube. A provocação reside na língua escolhida (perfeitamente perceptível na...Baviera) o que não deixa de trazer um toque de humor brilhante à acção.

 
 
 
 
 
 



*Sou sócio do maior clube do Mundo, e tu ?

sábado, 8 de novembro de 2014

As Grandes Equipas ganham mesmo quando jogam mal

Rio Ave e Mónaco.

Duas vitórias magras (1-0), dois golos de Talisca (de flop a prodígio em 3 meses...) e duas exibições fraquinhas do Benfica. Mas, duas VITÒRIAS. E se o principal objectivo de um jogo de futebol é vencer para se conquistarem títulos através de vitórias...então o Benfica cumpriu.

Primeiro na Liga doméstica, frente ao adversário que mais vezes defrontámos nos últimos meses, com fraca eficácia ofensiva (o que mais falta faz a este Benica 14/15 continua a ser um '9' de eleição - e Jonas não o é) e com as baixas da ala esquerda titular (Eliseu & Gaitán). Se ofensivamente fomos medíocres, no aspecto defensivo fomos melhores (por muito que eu ache que Lisandro está ainda muito longe do nível de Jardel - outro ausente) e talvez só tenhamos sido apanados descompensados no lance de offside do Rio Ave que resultaria num golo BEM anulado.

E curiosamente, andou-se a discutir uma decisão CERTA (!!) porque o auxiliar não teve a velocidade necessária para estar bem colocado (assim de repente lembro-me de um auxiliar estático, na linha de fora de jogo, numa bola parada, decidir MAL, portanto...), mas quando na jornada anterior, em Braga, o auxiliar também estava a uns bons metros de onde devia estar e validou o golo do Éder, ninguém levantou a voz. Ninguém! Lances idênticos, ambos bem ajuizados mas só um a dar "falatório". Bem vindos à Comunicação Social Portuguesa.

Na Champions jogámos menos que o Monaco (que para mim havia sido bem mais fraco em casa do que aquilo que fez na Luz) mas mais uma vez soubemos não sofrer (muito bem Júlio César e um Luisão cada vez mais em jogo) e sentenciar perto do fim. Se em França achei que o Benfica merecia mais, na Luz fomos mais felizes que competentes. Por oposição a um Monaco personalizado e que procurava fazer história (nunca uma equipa francesa venceu no Estádio do Sport Lisboa e Benfica).

E isto leva-me a outra questão, serão as equipas francesas melhores que o Benfica ? Claro que não (talvez o PSG e o OM estejam num nível próximo), mas o Monaco tem sentido mais dificuldades com elas do que com o Benfica. E para mim a explicação - por redutora que possa parecer - é simples: o Monaco é treinado por um português. Curiosamente o nosso grupo da Campions tem 2 treinadores portugueses entre 3 adversários, e para mim, esse tem sido o nosso (e de JJ) maior handicap. Os portugueses conhecem bem o Benfica, e estes 2 em particular têm tudo menos apreço ou simpatia por nós. Bem pelo contrário, preparam esses desafios ao detalhe e com uma carga extra de motivação (efeitos que o Benfica provoca em quem não gosta de nós). Arrisco mesmo dizer que se Monaco e Zenit não tivessem técnicos portugueses faríamos 10 a 12 pontos nos confrontos com eles.

As coisas não estão fáceis na Champions, mas já temos vantagem no confronto com os monegascos e só dependemos de nós para nos apurar, vencendo os 2 jogos que nos faltam faremos 10 pontos (como no ano passado..) e garantimos o apuramento. Não será fácil, sobretudo o próximo jogo na Rússia a um horário diferente (Leverkusen e Monaco defrontam-se na Alemanha sabendo o nosso resultado), num clima difícil e numa verdadeira final para as duas equipas. E aí, não haverá S.Talisca que nos safe, é preciso muito mais, é preciso eficácia na finalização, é preciso objectividade na transição ofensiva e é preciso coloca-los a eles sobre pressão também.

Mas se tudo isto falhar e...vencermos, perfeito. Afinal a maturidade de uma equipa grande vê-se também nos resultados. Trapattoni dizia que «se não podes ganhar, pelo menos não percas», não é teoria que aprecie mas é totalmente verdade. Ainda assim eu prefiro: se não podes jogar bem e ganhar, então ganha apenas.

P.S. - houve um presidente de clube português que veio dizer por estes dias que "o árbitro errou de forma deliberada" fazendo um claro processo de intenção que se alargou por mais do que o dia de jogo. Vou esperar para perceber o castigo (escapará ?? Já não digo nada...se até o Salvador - outro que fala muito de árbitros excepto se o adversário for o Porto - foi absolvido na última época depois de chamar ladrão e roubo em plena conferência de imprensa...) que lhe será aplicado. Por muito menos que isso, Vieira apanhou uns meses.

P.P.S. - o público do Benfica tem estado muito bem (números aquém de um Campeão líder isolado mas a crise permanece entre nós...) e não precisa de petardos para mostrar a sua paixão. Vi esta semana um exemplo brutal, no Monumental de Buenos Aires, o River Plate sofria o 2º golo do Estudiantes (que assim igualava a eliminatória da Copa Sul Americana) e SÓ se ouviam os adeptos "milionários" (ou gallinas se fores xeneize). Antes da marcação dessa penalidade do Estudiantes (que deu o momentâneo 1-2), durante a mesma e depois, só se ouvia River Plate, River Plate! Impressionante! Nunca tina visto um golo ser completamente abafado pelos adeptos contrários. Quem não conhecesse os equipamentos diria que havia sido uma comemoração incrível de um golo...do River!

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Benfica 1 - 1 Artur

Frustrante.
Foi assim o derby de ontem para o Benfica. Desperdiçámos demasiadas oportunidades e, como se fosse pouco ainda oferecemos um golo ao Sporting. E oferecer talvez seja pouco para descrever aquilo que Artur fez naquele lance. Vi aquilo e senti a mesma estupefação que se um jogador nosso tivesse chutado a bola intencionalmente para a nossa baliza. Inenarrável.



Avancem para o minuto 0:48. Eliseu atrasa para Artur, e até lhe coloca a bola no pé "bom" (se é que Artur tem isso...), o direito. O GR está no lado esquerdo (mais congestionado) da área e tem muito espaço à sua direita. Tem duas opções lógicas e simples: a primeira é chutar com força de primeira (mesmo que para fora), a segunda é dominar e girar o seu corpo para a direita para mais facilmente chutar "para dentro do campo" (se é que não quer fazer o típico charuto para fora.

0:49. Artur, com uma calma/lentidão arrepiante, domina a bola e demostra uma "moleza" premonitória face a dois sportinguistas que se aproximam dele a grande velocidade e lhe diminuem o espaço. Marco Silva diria, no final, que a estratégia do Sporting passava por pressionar alto, homem a homem, o Benfica, para evitar que este saísse a jogar desde a defesa. Este lance é apenas um exemplo prático dessa intenção.

0:50. Inexplicavelmente, Artur, em vez de fazer o "campo grande" virando-se para a sua direita, faz o "campo pequeno" virando-se para à esquerda. Esquerda onde tem pouquíssimo espaço e onde Carrillo está a pouco mais de 1/2 metros dele.

0:51. O absurdo acontece. Artur tenta colocar a bola no sítio mais difícil e perigoso (!!), em Eliseu, com - pasme-se - um chapéu a Carrillo. Àquela distância, arrisco dizer que não era um passe nada fácil de executar (o adversário está perto demais) e era mal jogado, porque Eliseu estava sozinho e há um sportinguista (André Martins ?) que, muito provavelmente chegaria primeiro à bola que o ex-Málaga.

Para completar a sucessão de acontecimentos bizarros, Artur consegue escorregar/gatinhar depois do seu passe ter sido interceptado. Se isto não tivesse acontecido, Artur poderia ter facilmente chegado à bola antes de Slimani fazer o golo. Mas o que se viu uma dureza de rins, uma incapacidade embaraçante de demonstrar agilidade ou, vá, velocidade de processos.

Artur é finito.

Dir-se-á que Artur borrou a pintura redimindo-se no remate de Slimani perto do final da partida. Eu digo que não e deixo duas notas. A primeira é que eu não acho que tenha sido grande defesa, a bola continua o seu percurso e não é outro frango por alguma sorte, grande defesa seria ele blocar a bola para a lateral (esquerda neste caso) ou agarrá-la. Neste lance ele tem sorte de a bola ter batido nele e não ter entrado, não vi nada de extraordinário no lance e na sua deficiente abordagem. Depois, Artur trouxe-me à memória a época de 93/94. Nessa época do 3-6, houve outro jogo mítico em Leverkusen (4-4) e recordo-me particularmente dessa altura. Durante um mês ou mais (aconteceu no 4-4 e no 3-6, para mencionar só dois casos) os cantos contra o Benfica eram quase penaltys, tal a tremideira e o burburinho que se sentia no campo e no Estádio a cada pontapé do quarto de círculo. Neno era o GR da altura que parecia incapaz de socar uma bola (já não digo agarrar) vinda de um canto. Então, tal como hoje, tínhamos um grande central (Mozer), mas o nervosismo daqueles lances, e de Neno em particular, acabava por afectar toda a gente na defesa.

Aquela equipa haveria de dar a volta a essa situação porque ofensivamente era portentosa (JVP e Rui Costa entre muitos outros), a equipa de hoje tem que retirar Artur da baliza sob pena do vírus dos cantos afectar toda a equipa e adeptos.

Já o escrevi e repito: Artur é um ex-futebolista de elite mas ainda ninguém o avisou.

Este lance, além de nos ter retirado 2 pontos, haveria de marcar o subconsciente de toda a equipa até ao intervalo. O Benfica que entrara muito bem e chegara à vantagem, sentiu o "suicídio futebolístico" de Artur como um soco demasiado forte no estômago. Era óbvio que nas mentes de alguns jogadores passou a estar a incredibilidade da ação de Artur, e isso não só desconcentra como retira motivação.

O Sporting equilibraria o jogo até ao intervalo, mas mais fruto de contenção e posse do que perigo efectivo. Aliás, gostei mais do Estoril de Marco Silva o ano passado na Luz do que deste Sporting.

No segundo tempo começámos com 2 falhanços: chapéu de Gaitán e remate de Salvio (a cruzamento de Nico Gaitán) rente ao poste. Aliás, Salvio haveria de falhar mais 2 chances, uma delas flagrante, no centro da área e sem oposição.

André Almeida também esteve perto de se estrear a marcar num derby num bom cabeceamento para grande defesa de Patrício (que quanto a mim também não ficou muito bem na fotografia do nosso golo, apesar da magistral jogada colectiva; aliás Patrício já frangara na última época num cabeceamento de Luisão, mas o erro de Artur até essa "comédia" supera).

Podíamos e devíamos ter vencido ontem, e o sentimento de frustração é enorme por causa disso. Disso e da falha grotesca de Artur. Nem o mal-amado Roberto terá feito uma daquelas...